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Como a síndrome de Burnout tem afetado os artistas gospel

Nos últimos anos, diversos cantores e ministros da fé têm padecido do que chamamos de desgaste da vida sacerdotal.

Caio Rangel | Publicado em: 12/08/21 às 12:35 Atualizado em 13/08/2021 08:27
Como a síndrome de Burnout tem afetado os artistas gospel
Cantores gospel síndrome de burnout (Reprodução)

Parece que o planeta Terra parou para ouvir o sofrimento das pessoas que sofrem da doença psiquiátrica mais prevalente no mundo em 2021: a síndrome Burnout.

Depois do ocorrido com Simone Biles, ginasta olímpica detentora de diversos títulos, a síndrome recebeu mais atenção. A atleta foi obrigada a abandonar a arena da ginástica olímpica em Tóquio, sendo uma das favoritas ao pódio.

No mundo gospel, não acontece o contrário. Nos últimos anos, diversos cantores e ministros da fé também têm padecido do que chamamos de desgaste da vida sacerdotal. A fé que para muitos é, sobretudo, um ato de dedicação a Deus em favor da igreja, também adoece.

A dedicação integral ao cargo da fé, quando mal administrada, pode trazer infortúnios talvez irrecuperáveis à saúde mental.

O esgotamento profissional, mais conhecido como síndrome de Burnout, vem devastando aqueles que vivem do púlpito.

Essa doença possui 3 facetas. A primeira é a exaustão mental, em que a pessoa após um período de estresse crônico mal administrado, começa a exercer suas funções de forma exaustiva, com uma sensação de cansaço interminável, como se acordasse após 8 horas de sono, mas fosse como se não tivesse dormido 1 hora sequer. É um ciclo de dormir sem energia e acordar mais exausto ainda. O dia é enfadonho e de difícil execução.

A seguir, em uma segunda faceta, a síndrome que antes atingia apenas o paciente, passa a ser externalizada pela forma que o profissional trata seus parceiros de trabalho e as pessoas que demandam de sua atenção. Em um terceiro momento, a faceta seguinte funciona como um insight, em que o paciente percebe ou se atenta que não é mais capaz de exercer sua profissão.

A cantora gospel Fernanda Brum, uma das maiores cantoras do país, abriu o coração para falar sobre a doença que a fez interromper bruscamente sua agenda de shows.

“Burnout… algumas pessoas nunca falariam sobre isso! Esse processo é como gastar toda sua energia vital em estresses aglutinados em um espaço de tempo inferior a sua existência! É andar em alta velocidade quando Deus não te pediu isso! É suportar o que podia ter sido evitado! É não dizer basta quando Deus já disse! Hoje eu respeito meus limites, resisto a manipulação e tento com toda educação dizer não… o dia foi ótimo hoje! Cuidei de gente! Amo cuidar de gente! Mexi com arte, cinema e fotos comunicando a verdade do evangelho. Não há nada que me realize mais que ser livre! Ouvir Deus e depender dEle! Coragem nunca me faltou! Mas manipulação por aqui? Não mais! O “doce de limão” nunca foi assim! Sempre disse sim! Agora me importo com o que importa! Minha saúde! Se eu colocar a máscara de oxigênio primeiro em mim, todos os demais respirarão! Respire! Viva! E lembre-se a pessoa mais importante da sua vida é vc! E assim, você poderá amar ao próximo como a si mesmo! Ame-se! Cuide-se e ame ao próximo! Seus inimigos vão odiar isso! Tadinhos deles! Deviam amar mais a eles mesmos que odiar a vc! Disse Golda Meir. Ei menina! Cuide de você!”, disse a cantora em sua conta no Instagram.

O termo Burnout significa “Burn” (queima) e “Out” (fora), que no sentido literal significa “queimar por completo”, e faz com que o profissional do púlpito, por se sentir exausto, cansado, irritado e sem energia, comece a sabotar seus relacionamentos com outras pessoas do ramo.

Imagina um cantor, que vai a uma igreja cantar, oferecer a Deus a sua vida em prol do ministério, e de repente vê sua vida perder o sentido junto com aquilo que sempre lutou para realizar. O seu chamado para pregar as boas novas não o satisfaz e nem o faz feliz mais, pois, literalmente, a sua mente está muito exausta para doar mais um pouco de si.

No entanto, não entenda mal, esse profissional, mesmo sendo um condutor da fé, adoece das mesmas enfermidades que todos nós. Não é porque temos Deus como o nosso sustento, que não vamos adoecer com as mesmas doenças pertencentes aos humanos.

O que devemos levar em conta é que a agenda superlotada, dias a fio longe de casa, vida de hotel, ausência de apoio pastoral, horas de palco, atendimento a pessoas em filas quilométricas, perda de noites de sono, falta de rotina e atividade física levam a uma exaustão que, as vezes, pode ser irreversível.

Cristina mel, uma dos expoentes do meio gospel, com mais de 40 álbuns lançados e mais de 8 milhões de cópias vendidas em CD, LP, K7 e DVD, faz 30 anos de carreira esse ano, e disse:

“Já passei pelo burnout, e sobrevivi. Meu novo álbum lançado recentemente pela deep music fala da minha experiencia com Deus de viver dEle e para Ele. As canções do repertório falam exatamente do momento que quase pensei em desistir, mas Deus disse: “aguenta” , que é o título da primeira musica desse novo EP. Quem me conhece sabe do quanto amo falar da cruz, o quanto falar de Jesus significa na minha vida. Eu amo a mensagem da cruz, o amor de Deus por todos nós. Como um novo refrigério, este é o novo tempo de Deus para minha vida. Eu sou fruto de missões e quase cheguei ao suicídio, mas Deus na sua infinita misericórdia me amou e disse: “você não pode desistir” – que é o título da minha nova canção lançada hoje em todas as plataformas digitais.”

Há alguns anos, o reverendo presbiteriano Augustus Nicodemus disse: “Esgotamento pastoral é uma das causas do suicídio”.

O pastor disse que já foi diagnosticado com a síndrome de Burnout, e revelou ainda que a sua agenda intensa o levou a um estágio sobrenatural de cansaço e esgotamento.

Segundo relatos, a doença ocorreu quando Augustus liderava uma igreja em Goiânia e era responsável por outros muitos ministérios, além dos seus compromissos como escritor e pai.

O reverendo disse: “Eram três expedientes, de manhã, de tarde e de noite. E muitas viagens, dentro do Brasil, e muitas vezes em situações muito difíceis”, afirma ele, dizendo que essas viagens eram longas e muito cansativas. “Fiz isso durante muitos anos e o combustível emocional e mental foi terminando e eu fui diagnosticado com síndrome de Burnout”.

O rapper gospel, pregador Luo, ficou ausente da musica gospel por 8 meses devido a uma fase de intensa melancolia, choro e dificuldade de se relacionar com as pessoas.

Ele relatou que já conviveu com a depressão em diversas fases da sua vida, mas que agora, devido ao desgaste profissional, entrou em um processo de exaustão que atrapalhou até o seu relacionamento interpessoal.

Luo está se recuperando, mas chegou um momento em que ele pediu para que Deus o levasse embora. O cantor conta que foram meses de profunda depressão, em que ele não queria comer, não tinha forças para se levantar da cama, nem queria se relacionar com a família, e confessa que até o desejo de servir a Deus ele tinha perdido.

O artista também contou que de todas as crises que teve durante sua vida, nunca pediu para morrer, mas desta vez, ele chegou a pedir para que Deus o levasse.

Outra artista gospel revelou em seu Instagram, que luta há 5 anos contra a depressão, crise do pânico e ansiedade. Michelle Nascimento conta que sua rotina intensa de apresentações em igrejas, além de problemas no matrimônio, colaboraram para intensificação dos sintomas. Ela acredita que falarmos e alertarmos mais sobre o assunto, pode ajudar as pessoas que estão pensando em suicídio.

A cantora gospel que faleceu recentemente, Cristiane Ferr, compositora de “O Sonho não acabou”, interpretada na voz de Gisele Nascimento, chegou a relevar que há anos vivia em um período de luta contra o Burnout.

Ela relatou que a carreira de cantora, conciliada com sua profissão de fisioterapeuta em Juiz de Fora (MG), a fizeram cair em um processo de exaustão muito intenso: “me sentia melancólica o tempo todo”.

Queremos deixar bem claro neste texto que o Burnout se estabelece pelo excesso de desgaste físico e mental por causa da profissão, ou melhor, da função que a pessoa exerce. Veja que nos exemplos acima destacamos sempre a fala dos artistas e das autoridades do evangelho no momento em que fizeram alusão ao esgotamento pelo excesso de entrega ao ofício.

A síndrome de Burnout tem tratamento, mas depende do momento da abordagem. Quanto mais precoce a aplicabilidade terapêutica, melhor prognóstico o indivíduo terá.

Resumidamente, o tratamento engloba atividade física, regulação do sono, alimentação saudável, prática de atividades de lazer e em família, intervalos intermitentes de mini pausas durante o tempo de serviço, abordagem terapêutica e em alguns casos medicação.

Estes artistas não são os únicos a confessarem que sofreram com o esgotamento ministerial. Há muitos outros líderes religiosos que não conseguem reduzir o ritmo de seus trabalhos, pois têm medo de serem substituídos ou que tomem decisões que eles não estejam de acordo.

Segundo as palavras do reverendo Nicodemus: “Esse pastor gasta toda a energia que ele tem e entra nessa fase de apatia, depressão e a qualidade do ministério dele vai diminuindo, minguando e ele vai perdendo a motivação. E esse pode ser uma causa para o suicídio pastoral”.

Desejamos que esse texto sirva de alerta para todos os líderes e ministros do Evangelho sobre a importância da saúde mental no exercício da fé.

José Fernandes vilas
Médico e neurocientista
Autor o livro quando o sucesso vira burnout: a síndrome do esgotamento profissional

 

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