Denúncia

Ministério Público denuncia líder do Santo Daime no Rio; polícia pediu prisão por violação sexual mediante fraude

Segundo o Ministério Público, Paulo Roberto Silva e Souza, fundador e dirigente histórico do Santo Daime no Rio, foi denunciado por violação sexual mediante fraude.

Por Caio Rangel • Publicado em 06/05/2025 às 11h41 • Atualizado em 29/10/2025 às 18h28
Paulo Roberto (Reprodução)

O Ministério Público apresentou denúncia criminal contra Paulo Roberto Silva e Souza, figura central do Santo Daime no Rio de Janeiro há mais de quatro décadas.

De acordo com a acusação, o líder religioso teria se valido de sua posição de prestígio espiritual e da dinâmica de rituais com uso de substâncias psicoativas para se aproximar e abusar de mulheres em cerimônias realizadas na sede da doutrina, em São Conrado, zona sul da capital.

A Polícia Civil concluiu o inquérito, indiciou o investigado e, no relatório encaminhado ao MP, solicitou a prisão. A denúncia descreve o crime como violação sexual mediante fraude (art. 215 do Código Penal). O caso segue em tramitação judicial.

O que dizem as autoridades e o que está em análise

Segundo a investigação, os episódios narrados por diferentes ofendidas ocorreriam no contexto de rituais religiosos em que se utiliza o chá ayahuasca, bebida de efeitos psicoativos reconhecida na tradição do Santo Daime. As vítimas afirmam que o ambiente de confiança, somado ao estado de vulnerabilidade decorrente dos ritos, teria sido explorado para a prática de atos de natureza sexual sem consentimento válido.

No inquérito, a Delegacia responsável reuniu depoimentos, relatórios de diligências e elementos colhidos em campo. Com base nesse material, o delegado indiciou Paulo Roberto Silva e Souza por violação sexual mediante fraude e pediu medida cautelar de prisão, que agora será apreciada pelo Judiciário.

A denúncia do Ministério Público formaliza a acusação e descreve a suposta conduta como recorrente. Também registra que mulheres teriam buscado autoridades internas da igreja para relatar situações semelhantes ao longo dos anos. A apuração criminal, entretanto, considera exclusivamente provas e indícios do processo, e o investigado mantém o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Reconhecido por seguidores como “padrinho”, Paulo Roberto é apontado como um dos responsáveis por difundir a doutrina do Santo Daime fora da região amazônica, onde a religião surgiu na década de 1930. O uso do chá sacramental é previsto na tradição e foi objeto de regulamentações administrativas ao longo das últimas décadas. As denúncias, porém, não se referem ao rito em si, mas ao suposto uso de autoridade espiritual e a condutas fraudulentas durante cerimônias para obter vantagem sexual.

Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que a violação sexual mediante fraude ocorre quando o agente engana ou manipula a vítima, anulando o consentimento (ex.: indução ao erro, abuso de confiança, exploração de estado de vulnerabilidade).

O processo pode envolver perícias, análise de comunicações, oitivas de testemunhas e confronto de versões.
No plano institucional, a denúncia pressiona a comunidade religiosa a aprimorar protocolos de prevenção e resposta a queixas internas, com canais seguros para recebimento de relatos, comunicação às autoridades e proteção de denunciantes.

A legislação brasileira prevê responsabilização individual, e entidades religiosas podem adotar códigos de conduta e treinamentos para reduzir riscos.

Versão da defesa — Procurada, a defesa de Paulo Roberto Silva e Souza não respondeu até a última atualização. O espaço permanece aberto para manifestação.

O O Fuxico Gospel procurou a defesa do investigado e as autoridades responsáveis e mantém o espaço aberto para manifestação das partes mencionadas nesta reportagem.

As informações acima têm base em peças oficiais (inquérito policial e denúncia do Ministério Público) e declarações públicas. Solicitações de correção ou direito de resposta podem ser enviadas para contato@ofuxicogospel.com.br.

Se você tiver conhecimento de violência sexual, acione o Disque 100 (Direitos Humanos), ligue 190 em emergências, procure a Polícia Civil e o Ministério Público. Vítimas têm direito a atendimento médico, psicossocial e medidas protetivas.



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