Um vídeo publicado pelo canal Igreja em Movimento DF trouxe à tona uma grave denúncia envolvendo o pastor Anderson Silva, fundador do projeto Machonaria. Em um dos trechos mais contundentes, um áudio mostra o próprio Anderson confessando que recursos arrecadados para ajudar uma família com criança autista não foram usados conforme anunciado publicamente.
A vaquinha foi criada após Anderson encontrar a família morando em uma barraca debaixo de uma árvore no Distrito Federal. Emocionado, ele publicou vídeos pedindo apoio financeiro para alugar e mobiliar um apartamento por seis meses. A ação mobilizou seguidores, que contribuíram acreditando que o recurso seria inteiramente destinado àquela família específica.
Contudo, no áudio vazado, Anderson admite que o imóvel foi entregue a outra pessoa, um casal de missionários. “Glória a Deus, né? Serviu à vida de um missionário. Mas não era pro casal missionário… era pro autista, pra mãe dele. Aí como que eu me explico com Deus?”, diz ele no trecho.
Transparência e credibilidade em xeque
A revelação gerou indignação entre ex-diretores do projeto Machonaria e apoiadores do pastor. Segundo os pastores Radamés e Johnny, que também aparecem nos vídeos, o episódio escancara a falta de transparência nas campanhas financeiras realizadas por Anderson. “Essas pessoas fazem vaquinha, recebem os valores e depois mudam o destino sem dar satisfação. Isso é grave. Não foi pra outra causa, foi pra aquela específica”, criticou um deles.
O site oficial da Machonaria, que possui seção dedicada à “transparência”, estaria, segundo os denunciantes, fora do ar ou sem dados consistentes. Ex-líderes alegam que nem mesmo o tesoureiro da ONG tinha acesso aos números financeiros do projeto.
Além disso, há registros de outras vaquinhas organizadas por Anderson, muitas delas com arrecadações relevantes, como uma que ultrapassou R$ 3 mil, mas sem prestação de contas. Questionamentos também surgiram sobre uma dívida estimada em R$ 500 mil, atribuída à gestão do pastor.
Disputa por marca e acusações de controle
Outro ponto de conflito abordado pelos ex-líderes da Machonaria é a tentativa de Anderson Silva de manter controle total sobre o nome e a identidade visual do projeto. Apesar de afirmar que o nome “Machonaria” é seu, o registro feito no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) foi negado em janeiro de 2024. Um novo pedido foi feito posteriormente por terceiros, indicando que a marca está em disputa.
Radamés, um dos pastores dissidentes, afirmou em vídeo que abriu mão do nome “Machonaria” e que, mesmo com o registro feito em seu CPF por precaução, não pretende recorrer judicialmente contra Anderson. “Ele pode continuar usando. O DNA é dele. Que faça bom uso disso”, declarou.
A reportagem segue aberta para manifestação do pastor Anderson Silva. Até a última atualização deste texto, ele não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso.