Política

Líder do movimento Igreja Sem Política diz que ato com Bolsonaro distorce o sentido bíblico

Pastor Daniel Batista critica ato com Bolsonaro na Paulista e diz que a justiça foi transformada em ferramenta de manipulação política por líderes cristãos.

Por Izael Nascimento • Publicado em 29/06/2025 às 11h04
Pastor Daniel Batista e Jair Bolsonaro - @Reprodução
Pastor Daniel Batista e Jair Bolsonaro - @Reprodução

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta semana, o pastor Daniel Batista, fundador do movimento Igreja Sem Política, criticou duramente o ato promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados na Avenida Paulista, marcado para este domingo (29/6). O evento, organizado sob o lema “Justiça Já”, reúne políticos, líderes religiosos e apoiadores da direita cristã.

Na visão de Batista, as lideranças evangélicas envolvidas no ato estão instrumentalizando o termo “justiça” para mobilizar o público cristão com fins eleitorais. “Essas convocações de rua visam a eleição do ano que vem. Eles estão trabalhando por poder e influência”, afirmou.

Segundo ele, ao usar expressões como “Justiça Já” em um contexto político-partidário, essas lideranças estão desvirtuando o verdadeiro significado teológico da palavra: “O termo justiça no Evangelho de Cristo é usado para proclamar a vida redentora dele. Jamais poderia ser aplicado para fins ideológicos e gestores”, declarou.

“A redenção virou projeto de Estado”, diz pastor

Daniel Batista também criticou o que chamou de “cristianismo político”, classificando o movimento como uma heresia moderna. Para ele, os organizadores do evento estão promovendo um “Jesus político” moldado conforme as ambições da direita religiosa.

“Esses caras estão cumprindo a agenda do diálogo inter-religioso, usando causas sociais para unir católicos e evangélicos. Estão vendendo a ideia de que a redenção agora não vem mais pela cruz, mas por meio do Estado, por partidos e candidatos”, afirmou.

O pastor destacou ainda que essas movimentações promovem um tipo de ecumenismo com motivação ideológica, e alertou para os riscos do que considera uma nova forma de idolatria política: “Eles dizem que a Igreja precisa eleger os cristãos escolhidos por Deus para governar. Isso não é evangelho, é manipulação”, concluiu.

Daniel Batista vem ganhando visibilidade nas redes sociais como uma das principais vozes contrárias à mistura entre fé e política partidária. O movimento Igreja Sem Política, criado por ele, propõe uma separação rigorosa entre o púlpito e os palanques, e se posiciona contra o uso da religião como instrumento de poder.



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