Política

Deputado Otoni de Paula pede perdão a Alexandre de Moraes

Otoni de Paula pede perdão a Alexandre de Moraes após ofensas em lives. Deputado tenta evitar cassação e entrega carta escrita à mão ao ministro.

Por Izael Nascimento • Publicado em 20/06/2025 às 09h32
Deputado federal Otoni de Paula - @Reprodução
Deputado federal Otoni de Paula - @Reprodução

O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), conhecido por sua atuação na Frente Parlamentar Evangélica e por ter integrado a base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, entregou pessoalmente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma carta escrita à mão em que pede perdão por declarações ofensivas feitas em 2020. Na ocasião, Otoni se referiu ao magistrado com termos como “canalha”, “esgoto”, “lixo” e “déspota” durante duas transmissões ao vivo nas redes sociais.

O encontro entre o deputado e o ministro ocorreu em Brasília e durou cerca de 15 minutos. De acordo com Otoni, a reunião foi respeitosa e marcou o reconhecimento de seu erro. Ele afirmou que agiu “tomado de forte emoção” e reconheceu que suas falas foram inadequadas e incompatíveis com sua função pública e com os princípios que defende como pastor há mais de 30 anos nas Assembleias de Deus.

A motivação para o pedido de perdão veio à tona no contexto do processo que tramita no STF. O deputado foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em julho de 2020 pelos crimes de difamação, injúria e coação no curso do processo. Em 2023, o Supremo aceitou a denúncia, transformando Otoni em réu. Alexandre de Moraes, alvo direto dos ataques, se declarou impedido e não participou do julgamento. Ainda não há data definida para que o plenário da Corte decida sobre a condenação ou absolvição do parlamentar, o que pode resultar na perda de seu mandato.

Na carta entregue ao ministro, Otoni afirma que suas declarações aconteceram após tomar conhecimento, pela imprensa, da decisão que autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal no âmbito do inquérito sobre atos antidemocráticos. Ele alega que se sentiu exposto publicamente e reagiu de maneira emocional e descontrolada, o que teria motivado a linguagem ofensiva nas lives.

Deputado tenta acordo e diz que críticas futuras serão institucionais, não pessoais

Durante o encontro, Otoni também teria solicitado ao ministro a possibilidade de firmar um acordo de não persecução penal, com o objetivo de evitar uma condenação formal e preservar seu mandato. Segundo o deputado, Moraes foi receptivo à conversa e destacou que críticas institucionais ao STF são legítimas no exercício do mandato parlamentar, desde que não envolvam ataques pessoais.

“O ministro me recebeu em seu gabinete, foi muito gentil e respeitoso. Eu reconheci meu erro, disse que fui tomado por uma emoção intensa naquele momento. Ele compreendeu isso e abriu a possibilidade de um acordo”, afirmou Otoni. O parlamentar também garantiu que continuará exercendo seu papel fiscalizador no Congresso, mas que suas manifestações futuras respeitarão os limites institucionais.

Na carta, Otoni reforça esse compromisso ao declarar que se envergonha das palavras utilizadas e que sua conduta foi reprovada até mesmo por sua denominação religiosa. “Tal comportamento e vocabulário ofensivo são inaceitáveis pela Igreja”, escreveu. Ele ainda fez um apelo pessoal, destacando o impacto que uma eventual condenação teria sobre sua família e sobre sua trajetória como líder evangélico.

“Tenho consciência que o julgamento que serei submetido pode estabelecer a perda do meu mandato parlamentar e o fim da minha carreira política, mas suplico o favor de Vossa Excelência, que me ajude a não viver essa vergonha diante dos meus filhos e da Igreja”, disse na carta.

O episódio também reflete o distanciamento político de Otoni em relação ao bolsonarismo. Em fevereiro de 2025, ele perdeu a eleição para a presidência da Frente Parlamentar Evangélica, sendo derrotado por Gilberto Nascimento (PSD-SP), candidato apoiado diretamente por Jair Bolsonaro. A derrota foi atribuída, em parte, ao alinhamento de Otoni com o governo Lula e à sua presença em cerimônias no Palácio do Planalto, o que irritou integrantes do PL e líderes conservadores, como o pastor Silas Malafaia.

Apesar do gesto de reconciliação, o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido de perdão, nem sobre a possibilidade de acordo. A decisão final, se levará ou não à cassação de Otoni de Paula, permanece nas mãos do colegiado da Corte.



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