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Com suposta instrução de Deus, pastor lança criptomoeda e capta R$ 18 milhões de fiéis

Segundo o pastor, a criptomoeda era uma “transferência de riqueza divina” para o povo de Deus

Por Caio Rangel • Publicado em 24/07/2025 às 10h38
Pastor pastor Eligio Peter (Reprodução)

O pastor Eligio Peter Regalado e sua esposa, Kaitlyn Marie Regalado, foram formalmente denunciados por autoridades do Colorado, nos Estados Unidos, sob 40 acusações criminais ligadas à criação e promoção da criptomoeda INDXcoin. O casal teria arrecadado US$ 3,4 milhões (cerca de R$ 18 milhões) ao convencer fiéis de que o projeto era uma instrução direta de Deus.

De acordo com a promotoria de Denver, entre janeiro de 2022 e julho de 2023, os Regalado utilizaram sua influência religiosa para impulsionar a venda do ativo digital, apresentado como um meio divinamente orientado de “transferência de riqueza” para o povo cristão. Eligio, que lidera a igreja online Victorious Grace, chegou a afirmar em vídeos públicos que “o Senhor” havia ordenado a criação da criptomoeda em outubro de 2021.

O casal não apenas promovia a INDXcoin como um investimento sagrado, mas também operava a própria plataforma de negociação, chamada Kingdom Wealth Exchange, pela qual os ativos eram vendidos. As investigações apontam que a maior parte dos compradores eram membros de igrejas evangélicas, alvos estratégicos do casal.

Segundo o processo, cerca de US$ 1,3 milhão foi desviado para uso pessoal, incluindo reformas na casa onde o casal vive em Denver. A reforma teria sido justificada aos fiéis como um “mandato divino”, segundo a denúncia. Após o colapso do projeto, a criptomoeda perdeu totalmente seu valor de mercado, deixando centenas de investidores sem retorno financeiro.

Apelidado de “Godcoin” por internautas e pela imprensa local, o caso levantou discussões sobre o uso da fé como ferramenta de manipulação financeira. As acusações incluem formação de organização criminosa, roubo qualificado, fraude com valores mobiliários e exploração da fé alheia para enriquecimento ilícito.

“Estamos diante de uma grave violação da confiança. As vítimas foram levadas a crer que estavam participando de algo sagrado, quando, na verdade, tratava-se de um esquema articulado para benefício pessoal”, declarou o promotor John Walsh. Ele agradeceu o trabalho das equipes de investigação e reforçou o compromisso do Estado em buscar justiça para os lesados.

 



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