A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu nesta segunda-feira (2) o inquérito que investigava o pastor Flávio Amaral por práticas de homotransfobia em palestras e publicações nas redes sociais.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (DECRIN), que o indiciou por preconceito relacionado à orientação sexual e identidade de gênero.
Entre as declarações ofensivas identificadas pelos investigadores, Flávio Amaral chegou a atacar a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), afirmando que ela “não é incluída no Dia Internacional da Mulher, pois mulher nasce mulher, não se torna”.
Em outros discursos, o pastor divulgava conteúdos que defendiam a chamada “cura gay”, classificando pessoas LGBTQIA+ como “filhos da ira e da perdição” e pregando que a homossexualidade poderia ser revertida por meio de fé, jejum e oração.
Durante depoimento à polícia, Amaral justificou suas falas dizendo que eram motivadas por “questões pessoais”. No entanto, as investigações apontaram que as declarações extrapolaram opiniões individuais e configuraram incitação ao preconceito.
Outro ponto que chamou atenção foi a declaração do pastor sobre padre Fábio de Melo. Ele atribuiu a depressão do sacerdote à homossexualidade, alegando que o religioso sofria por “falta de sexo”.
O caso ganhou força após a morte de uma jovem trans de 22 anos, membro da igreja liderada por Amaral, que tirou a própria vida em setembro de 2023. A vítima passava por processos de “destransição” e “cura gay”, ambos promovidos e coordenados pelo pastor. Após a tragédia, a deputada Erika Hilton e a vereadora paulistana Amanda Paschoal, ambas do PSOL, protocolaram denúncia junto ao Ministério Público (MP), motivando o aprofundamento das investigações.
Flávio Amaral se apresenta nas redes sociais como “ex-travesti” e ficou conhecido nacionalmente por pregar que pessoas LGBTQIA+ podem abandonar a homossexualidade através de práticas religiosas.
Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que decidirá se oferece denúncia formal à Justiça do DF. Se condenado por todos os crimes nos quais está sendo investigado, o pastor poderá cumprir pena de seis a quinze anos de reclusão.

