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Líder da Igreja Mananciais é acusado de encobrir abuso contra filha de pastor

Filha de pastor da Igreja Mananciais teria sido vítima de abuso em evento da igreja, mas liderança omitiu o caso e tentou incriminar um aluno para evitar escândalo.

Por Izael Nascimento • Publicado em 05/07/2025 às 16h43 • Atualizado em 05/07/2025 às 16h44
Pastor Ricardo Carvalho - @Reprodução
Pastor Ricardo Carvalho - @Reprodução

Um relato chocante feito por Bruno Rangel, ex-membro da Igreja Mananciais, ao canal O Fuxico Gospel trouxe à tona acusações graves contra a denominação, liderada pelo pastor Ricardo Carvalho.

Segundo o jovem, a instituição encobriu um suposto caso de abuso infantil ocorrido em um sítio da igreja e o utilizou como bode expiatório para encerrar o episódio sem exposição pública ou apuração formal dos fatos. Bruno afirma ter sido coagido a confessar um crime que não cometeu e que jamais teve direito de defesa.

O episódio aconteceu em 2014, durante um evento da igreja com mais de 300 participantes. Dias após o evento, ele foi chamado para uma reunião com três líderes: o pastor Ricardo Carvalho, o discipulador da turma e um terceiro pastor — pai da criança supostamente abusada. Nesta reunião, Bruno diz ter sido submetido a tortura psicológica para confessar um crime que não cometeu.

“Era como um tribunal. Eles diziam ‘confessa, confessa’, mas eu nem sabia do que se tratava. Só fiquei sabendo ali, naquela sala, que uma criança havia sido abusada e que o nome mencionado por ela era ‘tio Bruno’. Havia vários Brunos na igreja, mas me escolheram como alvo”, relatou.

“Era filha de um pastor; quando descobri, achei que tudo se resolveria”, diz Bruno

O ponto de virada na pressão psicológica, segundo Bruno, ocorreu quando soube que a criança supostamente abusada era filha do próprio pastor com quem havia tido um desentendimento dias antes. “Quando o Ricardo me revelou quem era o pai da criança, senti um certo alívio. Achei que, por ele me conhecer, seria fácil esclarecer. Mas foi o contrário. A revelação gerou ainda mais ódio, ele levantou e quase partiu para cima de mim.”

A criança, após o evento, chorou ao tomar banho e mencionou ter sido tocada por um “tio Bruno”. A versão contada pelos líderes, no entanto, jamais foi apresentada à Justiça, tampouco formalizada em denúncia. Não houve inquérito, nem exame de corpo de delito, nem qualquer tipo de apuração com base legal.

“Eu pedi para ir à delegacia, para esclarecer. Mas o pastor Ricardo me orientou a não fazer isso. Disse que acabaria com minha reputação, que eu nunca mais seria aceito em nenhuma igreja. Isso me destruiu.”

Veja a parte 01:

Caso foi silenciado e vítima nunca foi apresentada

Bruno afirma que o caso foi totalmente abafado. Nenhuma providência legal foi tomada pela igreja, e nem ele, nem sua mãe — que é advogada — tiveram acesso à suposta vítima ou aos familiares para esclarecer os fatos.

“Eles me excluíram, me isolaram, destruíram minha imagem com base em boatos. E a igreja seguiu como se nada tivesse acontecido.”

Ele relata ainda que, após o episódio, enfrentou crises emocionais severas, insônia, tremores e pânico. “Acordava tremendo. Minha mãe tinha que me dar remédio. Foi como voltar da guerra”, desabafou.

Bruno também afirmou que tentou contato com o pastor pai da criança, mas foi ignorado. “Ele se recusou a conversar comigo. Disse que não queria me ver nem cruzar comigo mais.”

A suspeita de que a Igreja Mananciais tenha preferido silenciar o caso em vez de buscar justiça é o centro da denúncia. “Se a filha de um pastor foi mesmo abusada, por que não houve denúncia? Por que não protegeram a criança com transparência? Preferiram me usar como escudo.”

Assista a parte 02:

A reportagem procurou a Igreja Mananciais para ouvir a versão da instituição, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Veja a entrevista completa:



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