A polêmica pregação do pastor João Moraes, líder da Igreja/Escola Emunah, continua rendendo repercussão. Após afirmar que o Espírito Santo teria tentado contender com Deus e, por isso, foi disciplinado — com base em uma interpretação de Gênesis 6 — o religioso foi publicamente corrigido pelo pastor Adson Belo, líder sênior da Igreja Missão Apostólica da Fé (IMAFE), que refutou a tese com base em exegese e análise textual do hebraico original.
Em resposta direta à publicação de Moraes nas redes sociais, Adson Belo apontou erros teológicos e exegéticos na interpretação do versículo: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem”. Segundo Belo, o texto não trata de conflito entre o Espírito Santo e Deus, mas da atuação do Espírito sobre o homem carnal e corrompido. Ele chegou a apresentar a tradução literal do hebraico e expôs que o sentido do trecho foi deturpado por falta de exame adequado do texto original.
“A aplicação está incoerente teologicamente e exegèticamente”, escreveu o pastor após apresentar a versão literal: “Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos”.
Ao esclarecer o significado do versículo, Adson Belo deixou claro que o trecho fala da limitação da atuação do Espírito diante da corrupção humana, e não de uma suposta “disputa” ou “desentendimento” entre o Espírito e o Pai, como sugeriu Moraes.
Além da correção, Belo ainda ironizou a interpretação de João Moraes e recomendou que o vídeo fosse retirado do ar. “Está aí o original. Melhor excluir isso. Aplicação está incoerente teologicamente e exegèticamente”, concluiu o pastor.
O episódio repercutiu entre líderes e fiéis, dividindo opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns defendem a liberdade de interpretação nas pregações contemporâneas, outros reforçam a necessidade de fidelidade ao texto bíblico, especialmente em temas tão sensíveis como a Trindade.