O pastor Júnior Trovão, que disputou uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2022, teve as contas de sua campanha eleitoral reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). A decisão foi proferida pelo desembargador Gerardo Carnevale Nei da Silva e determina que o pastor devolva R$ 97.439,20 aos cofres públicos.
A reprovação ocorreu por falhas na comprovação do uso de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), além da utilização de valores com origem não identificada. A decisão, baseada na Resolução TSE nº 23.607/2019, ainda ordena o envio dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para apuração de eventual crime previsto no artigo 354 do Código Eleitoral.
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Campanha enxuta, votação expressiva e falhas técnicas
Registrado na Justiça Eleitoral como Albertino Alves Pereira Júnior, o pastor Júnior Trovão recebeu R$ 237 mil de recursos públicos para sua campanha — sendo R$ 200 mil da direção nacional do partido Republicanos e R$ 37 mil da direção estadual. No entanto, apenas R$ 200 mil foram devidamente comprovados, enquanto o restante apresentou inconsistências.
Segundo o acórdão, os valores foram usados sem documentação adequada que comprovasse a destinação correta. Itens como gastos com pessoal, publicidade e combustíveis constam nos relatórios, mas parte das despesas não teve respaldo técnico suficiente para atender às exigências do TSE.
Apesar da desaprovação das contas, a decisão não torna o pastor inelegível, já que não houve comprovação de dolo. No entanto, o processo pode gerar desdobramentos caso sejam identificadas irregularidades graves na apuração do Ministério Público.
Mesmo enfrentando dificuldades na prestação de contas, o pastor Júnior Trovão teve um desempenho relevante nas urnas: foram 53.250 votos em sua primeira tentativa de disputar um cargo eletivo federal. O número foi considerado expressivo para uma campanha modesta, o que reforça seu capital eleitoral entre o público evangélico conservador.
Assessoria política e erros contábeis podem ter influenciado
Em análises públicas, especula-se que a reprovação das contas do pastor Júnior Trovão não tenha relação com má-fé, mas sim com falhas técnicas ou desatenção por parte da equipe jurídica e contábil responsável. Há casos semelhantes em que partidos terceirizam a contabilidade, especialmente após candidaturas não eleitas, o que pode comprometer a regularidade dos registros.
Essa prática é comum em legendas que concentram recursos em campanhas prioritárias e deixam os demais candidatos sem suporte adequado no pós-eleição. O próprio pastor teria contado com estrutura limitada e, por confiar na assessoria indicada pelo partido, pode ter sido prejudicado pela condução inadequada do processo.
Entre os gastos declarados, destacam-se R$ 77 mil com pessoal, R$ 72 mil em publicidade e R$ 13 mil com combustíveis. O restante foi distribuído entre despesas menores, todas registradas na prestação de contas. No entanto, parte desses valores, segundo o tribunal, carecia de documentação ou origem identificável.
Caso a devolução do montante não seja feita, o pastor poderá enfrentar restrições em futuros pleitos. Contudo, como as contas foram apresentadas — mesmo que reprovadas — ele não se enquadra automaticamente nos critérios de inelegibilidade previstos pela Lei da Ficha Limpa.

