No último domingo (29), um grupo de 11 líderes evangélicos mobilizou seus seguidores para participar de uma manifestação política na Avenida Paulista, em São Paulo, em defesa dos presos pelos atos de 8 de janeiro. Apesar do vídeo de convocação ter sido amplamente divulgado nas redes sociais, apenas o pastor Silas Malafaia, que coordenou o ato, marcou presença entre os organizadores.
O vídeo, que circulou dias antes do evento, reuniu nomes de peso no meio evangélico, como o bispo Robson Rodovalho e os apóstolos Estevam Hernandes, César Augusto e Renê Terra Nova. Na gravação, os líderes religiosos criticavam as condenações aplicadas aos envolvidos na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. “Não podemos admitir tantos inocentes sendo punidos”, disse Rodovalho.
Durante o protesto, Malafaia declarou que a mobilização buscava unir espiritualidade e atitude prática diante do que classificou como injustiças. “Convoco todos para tomarmos uma posição contra tanta injustiça”, afirmou, ao discursar para os manifestantes.
Além dos nomes já citados, também participaram do chamado virtual os pastores Abner Ferreira, Samuel Câmara, Téo Hayashi, Jorge Linhares e o apóstolo Ezequiel Teixeira. Nenhum deles, porém, apareceu no ato que ocorreu no início da tarde, horário tradicional de cultos dominicais em diversas igrejas evangélicas.
Críticas ao Judiciário e ausência de líderes
O ato teve como principal pauta a defesa dos réus considerados inocentes pelos líderes religiosos. Em suas falas, eles acusaram o Judiciário de exagerar nas sentenças e de perseguir cristãos que participaram das manifestações de janeiro de 2023.
A ausência dos demais pastores e bispos, porém, chamou atenção e gerou questionamentos nas redes sociais, já que todos haviam incentivado publicamente a participação dos fiéis no protesto.
A manifestação ocorreu em meio a um clima político ainda polarizado no país, especialmente entre evangélicos que apoiaram os atos de 8 de janeiro. Muitos fiéis compareceram ao protesto vestindo camisetas com frases de apoio aos detidos e portando bandeiras do Brasil, reforçando o caráter político-partidário do ato organizado por Malafaia.
Especialistas em religião e política apontam que a mobilização, apesar da ausência de grande parte dos pastores que convocaram, evidencia a influência do segmento evangélico em pautas nacionais. Analistas também destacam que esses líderes buscam fortalecer sua base eleitoral ao se posicionarem publicamente sobre casos que geram comoção entre seus seguidores.