O pastor André Valadão, líder da Lagoinha Global, usou suas redes sociais para se posicionar após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (4).
Em uma publicação, o pastor — conhecido por seu apoio declarado ao ex-mandatário — classificou a medida como um sinal de alerta para a democracia e afirmou que a liberdade de expressão está sendo cerceada:
“Liberdade sem voz não é liberdade. Ver um ex-presidente silenciado antes mesmo de ser julgado acende um alerta sobre quão frágil pode se tornar a democracia quando o debate vira tentativa de calar o adversário”, escreveu.
Valadão também defendeu que a justiça deve ser imparcial e transparente, sem favorecimentos ideológicos:
“Não importa a cor partidária: quando a justiça parece seletiva, quem perde é a nação inteira que precisa de instituições fortes e imparciais para avançar.”
Finalizando a publicação, o pastor fez um apelo por sensatez, liberdade de expressão e reconciliação nacional:
“Oro para que Deus restaure nossa esperança, desperte líderes sensatos e nos ajude a construir um Brasil onde divergência não seja motivo de censura, mas ponto de partida para soluções que beneficiem o povo.”
Decisão de Moraes: por que Bolsonaro está em prisão domiciliar
A ordem de prisão domiciliar foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes sob a justificativa de descumprimento de medidas cautelares, como a proibição de uso de redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Segundo Moraes, Bolsonaro utilizou contas de aliados — como a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — para divulgar vídeos com mensagens que “instigam ataques ao STF e defendem intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro”.
Um dos exemplos citados pelo ministro foi uma publicação feita no domingo (4) no perfil de Flávio, com um vídeo do ex-presidente enviando recado a manifestantes no Rio de Janeiro. A postagem foi removida poucas horas depois.
“O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que, repita-se, o próprio filho do réu […] decidiu remover a postagem”, escreveu Moraes na decisão.
Além da prisão domiciliar, foram impostas outras restrições: uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e nos fins de semana, proibição de visitas (exceto de familiares e advogados), e apreensão de aparelhos celulares na casa do ex-presidente.
A defesa de Bolsonaro afirma que ele não descumpriu nenhuma ordem judicial e que pretende recorrer da decisão. O caso reacendeu o debate sobre liberdade de expressão, ativismo judicial e a tensão entre o ex-presidente e o Supremo.

