No universo gospel, não são raros os artistas que decidem ampliar sua atuação para além da música e fundar ministérios. Esse foi o caso de Cassiane, Fernanda Brum e Ana Paula Valadão, três das vozes mais conhecidas da música evangélica brasileira. Cada uma, em momentos diferentes da carreira, deu início a um projeto de igreja própria.
O objetivo, em geral, foi unir a experiência da música com o pastoreio e a formação de uma comunidade local. Apesar do prestígio artístico que carregam, os ministérios dessas cantoras não atingiram o mesmo impacto numérico que suas carreiras musicais, permanecendo restritos a um público específico.
Cassiane, por exemplo, ao lado de seu marido Jairinho Manhães, lidera a ADAlpha (Assembleia de Deus Alphaville) em Barueri, São Paulo. Embora seja ativa e bem estruturada, a igreja não reúne multidões e segue como uma congregação de porte limitado dentro da denominação.
Já Fernanda Brum e seu esposo, Emerson Pinheiro, pastoreiam a Igreja Profetizando às Nações (IPAN), localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Conhecida por encontros temáticos e conferências, a igreja também não tem um grande número de membros, funcionando de forma mais intimista em comparação a denominações tradicionais.
Entre as três, quem conseguiu maior destaque com a fundação de igreja própria foi Ana Paula Valadão. Radicada nos Estados Unidos desde 2017, a cantora e seu esposo lideram a Before The Throne Church, em Miami, que funciona como uma extensão do ministério Diante do Trono.
O projeto atraiu brasileiros que vivem na Flórida e se consolidou como referência entre igrejas voltadas à comunidade brasileira nos EUA. A Before The Throne Church chegou a abrir algumas filiais em cidades vizinhas, mostrando uma expansão maior do que as iniciativas de Cassiane e Fernanda Brum.
Ainda assim, o alcance não se compara a megatemplos ou denominações históricas, mas é considerado um passo relevante dentro do cenário gospel internacional.
Ministérios de portas abertas, mas sem grande impacto numérico
Mesmo sem números expressivos de fiéis, tanto a ADAlpha quanto a Profetizando às Nações continuam de portas abertas e atuando em suas comunidades. Os templos funcionam como pontos de encontro espiritual e reforçam a imagem pastoral das cantoras, mas sem atingir a mesma dimensão de ministérios mais tradicionais ou igrejas ligadas a outros líderes gospel de projeção nacional.
O caso de Ana Paula Valadão aparece como exceção parcial. Sua igreja nos Estados Unidos não só fortalece o vínculo com a comunidade brasileira no exterior, como também mantém a marca Diante do Trono viva em outro país, garantindo maior visibilidade do que os projetos de Cassiane e Fernanda Brum.
No fim, o contraste entre a relevância das artistas no cenário musical e o tamanho modesto de suas igrejas mostra como a transição do palco para o altar pode ser desafiadora, mesmo para nomes consagrados do gospel nacional.