Um pedido de afastamento cautelar foi protocolado contra o pastor Océlio Nauar, atual presidente da Convenção Interestadual de Ministros e Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Pará (Comieadepa). A ação, assinada pelo pastor Erivaldo Monteiro Marques, de Belém, foi apresentada na última quinta-feira (14) e solicita que Nauar seja suspenso de todas as funções diretivas até o julgamento final de um processo disciplinar.
Segundo a representação, o afastamento é necessário para garantir a imparcialidade da apuração e proteger a credibilidade institucional da convenção, que reúne líderes da Assembleia de Deus em todo o estado. O documento pede que o Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da entidade dê prioridade à tramitação e comunique imediatamente a Mesa Diretora sobre a substituição interina.
O requerimento se baseia no artigo 28 do Regimento Interno da Comieadepa e no artigo 54 do Estatuto Social, que autorizam a suspensão preventiva de dirigentes quando há risco de repercussão negativa à imagem da convenção. De acordo com o pastor Erivaldo, a permanência de Océlio no cargo pode gerar constrangimento de testemunhas, embaraços às diligências e desgaste contínuo da reputação da instituição.
A representação ainda sugere encaminhar cópia dos autos ao Ministério Público, diante da possibilidade de enquadramento na Lei 7.716/1989 (Lei do Racismo), uma vez que o caso ganhou repercussão estadual e nacional.
O pedido de afastamento está relacionado a uma fala de Océlio Nauar durante congresso evangélico realizado em Itaituba, no dia 9 deste mês. Na ocasião, ele afirmou a jovens presentes: “Se você escolher uma branquinha, tem mais despesa, é mais caro. Escolhe uma morena que gasta menos. As branquinhas começam a ter um negócio aqui, tem que comprar mais creme, vai ficando caro. Mas o amor é cego”.
A declaração foi transmitida ao vivo, gravada e amplamente compartilhada nas redes sociais, gerando forte reação negativa entre fiéis e internautas.
Defesa do pastor
A equipe de Océlio Nauar argumenta que a fala foi “tirada de contexto” e fazia referência a um tratamento dermatológico de sua esposa. Para os defensores, grupos com interesses políticos manipularam a declaração para prejudicar a imagem do líder religioso.
Apesar da justificativa, a representação aponta que o pastor não reconheceu a gravidade de suas palavras, preferindo adotar postura de vitimização nas redes sociais.
Momento delicado da convenção
A Comieadepa vive um período de instabilidade. Em abril, Océlio Nauar assumiu a presidência após a renúncia de Ritter Marques, que deixou o cargo em meio a um escândalo de cunho sexual. Desde então, a convenção buscava reconstruir sua imagem pública e restabelecer a confiança da comunidade.
O novo pedido de afastamento, no entanto, aprofunda a crise e pode resultar em medidas mais severas, como suspensão definitiva ou destituição do cargo, dependendo do julgamento do Tribunal de Ética e Disciplina.
Quem é o pastor Océlio Nauar
Natural de Tucuruí, no sudeste do Pará, Océlio Nauar tem 66 anos e é formado em teologia e filosofia. Ele também é professor e proprietário da Faculdade Gamaliel, instituição privada de ensino religioso e humanístico. Em 2019, participou de um culto em Brasília ao lado do então presidente Jair Bolsonaro, a quem entregou uma placa de homenagem.
O processo disciplinar agora seguirá para análise do TED da Comieadepa, que poderá deliberar pelo afastamento imediato, além de aplicar sanções que vão de advertência a exclusão definitiva do quadro diretivo. O documento ainda pede que o pastor seja obrigado a realizar retratação pública e participar de programas de formação em letramento racial e ética ministerial.
Enquanto isso, a repercussão continua crescendo nas redes sociais e entre membros da Assembleia de Deus no Pará, que aguardam a decisão da convenção sobre o futuro de seu principal dirigente.