A Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado do Paraná (CIEADEP) recebeu, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), recursos públicos por meio da Itaipu Binacional, estatal controlada pela União. Em 2022, foram repassados R$ 75 mil em patrocínio a uma filial da Assembleia de Deus no Paraná para a realização de um evento religioso em resort de luxo.
O encontro reuniu lideranças da convenção, incluindo o presidente pastor Perci Fontoura, e se somou a outros gestos de proximidade política. Fontoura participou de café da manhã com Bolsonaro no Palácio do Planalto e, em 2022, pediu votos ao então presidente, reforçando o apoio da CIEADEP à sua reeleição.
O episódio, que demonstrava prestígio e influência da convenção junto ao governo federal, contrasta agora com o cenário de crise que a instituição enfrenta na Justiça.
Dívida milionária e bloqueio de contas
Em agosto de 2025, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio das contas bancárias da CIEADEP e da AEADEPAR, sua entidade educacional. A medida foi tomada após a constatação de uma dívida trabalhista que já supera R$ 50 milhões, acumulada desde 2017 e relacionada a salários atrasados, verbas rescisórias e recolhimentos previdenciários não pagos.
O bloqueio foi realizado pelo sistema SISBAJUD, na modalidade “teimosinha”, que permite repetidas tentativas de constrição de valores até a quitação integral da dívida. A decisão judicial apontou ainda indícios de ocultação patrimonial por parte da convenção, com o objetivo de dificultar a execução.
A juíza Ana Maria São João Moura também determinou a averbação do processo em imóveis de igrejas filiadas e o uso do Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB), garantindo que nenhum patrimônio seja transferido para escapar da cobrança.
Enquanto acumulava dívidas trabalhistas milionárias, a CIEADEP mantinha uma relação próxima com Bolsonaro. O pastor Perci Fontoura, presidente da convenção, tornou-se um de seus aliados no Paraná, participando de agendas oficiais em Brasília e pedindo votos para o ex-presidente em 2022.
O apoio político rendeu à convenção prestígio junto ao governo federal, materializado também em recursos públicos via estatal. Porém, a situação judicial da CIEADEP expõe uma contradição: uma instituição que se beneficiou de verbas do governo e que exerceu influência no cenário político, mas que ao mesmo tempo deixou de honrar compromissos básicos com seus próprios trabalhadores.