A Polícia Civil de Joinville indiciou o ex-pastor Ailton da Silva Novaes e sua esposa, Cíntia Carla Silva Novaes, por maus-tratos a animais e crimes ambientais. A ação é resultado de uma investigação iniciada após denúncia da Frente de Ação pelos Direitos Animais (Frada), que levou o Departamento de Investigações Criminais (DIC) e a Delegacia de Proteção Animal a inspecionarem a propriedade rural conhecida como Rancho dos Profetas, situada em Pirabeiraba e vinculada à Igreja Imagem e Semelhança.
Os laudos periciais apontaram um cenário de abandono. Segundo os peritos, os animais estavam sem água, comida e cuidados básicos, em situação considerada degradante. Durante a operação, as equipes resgataram 35 animais, entre eles galinhas e um coelho, todos em condições precárias de saúde e nutrição.
Além disso, as autoridades identificaram construções irregulares em áreas de preservação permanente e até no leito de um rio, o que configura infrações ambientais graves previstas na legislação brasileira.
A investigação concluiu que o ex-pastor cometeu maus-tratos e violou os artigos 40 e 48 da Lei de Crimes Ambientais, que tratam de intervenções ilegais em áreas protegidas e de preservação permanente. Já Cíntia foi indiciada por permitir que os animais permanecessem sem alimento e água, caracterizando também a prática de maus-tratos.
Ailton da Silva Novaes já havia se envolvido em outra polêmica em um passado bem recente. Ele foi alvo de um escândalo de traição durante um culto da Igreja Imagem e Semelhança, o que causou grande repercussão à época. Após o episódio, gravou um vídeo ao lado da esposa pedindo perdão publicamente e tentando preservar sua imagem, mas acabou sendo forçado a renunciar ao cargo da igreja fundada pelo casal.
O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário, que será responsável por avaliar as provas reunidas e determinar os próximos passos do processo contra o ex-líder religioso e sua esposa.

