A Machonaria — Confraria Nacional de Homens, fundada pelo pastor Anderson Silva — passou a ser presidida por Keila Andrade Teixeira de Souza, sua esposa. A alteração ocorre meses depois de uma crise interna que resultou na renúncia de um grupo de líderes, entre eles o vice-presidente, e em questionamentos sobre a gestão administrativa do movimento.
Até então liderada por Anderson Silva, a confraria organiza encontros, cursos e conteúdos voltados à formação de homens em princípios que define como “masculinidade bíblica”. A substituição no topo da estrutura marca um novo capítulo para o grupo, que vinha sendo pressionado a apresentar esclarecimentos sobre governança e transparência.
Integrantes e ex-integrantes relataram, ao longo do ano, divergências sobre finanças e condução institucional. Em cartas e comunicados, o grupo dissidente falou em falta de informações e cobrou prestação de contas. A direção não detalhou publicamente, até aqui, um calendário de auditoria ou relatório consolidado sobre as despesas e receitas do projeto.
A nomeação de Keila Souza chama atenção pelo caráter simbólico: é a primeira vez que a Machonaria — movimento que se apresenta como voltado à formação de homens, maridos e pais — tem uma mulher na presidência. A mudança provoca debate entre apoiadores e críticos sobre coerência entre discurso e prática.
De um lado, defensores avaliam que a transição pode indicar reorganização administrativa, com separação entre liderança espiritual e gestão executiva, além de potencial profissionalização de processos. De outro, há quem veja contradição com a narrativa central da confraria, que enfatiza códigos de conduta e o protagonismo masculino no lar e na comunidade de fé.
Procurada, a direção ainda não divulgou comunicado público detalhando como se deu a sucessão, quais atribuições caberão à nova presidente e quais medidas serão adotadas para responder às cobranças de transparência que vieram à tona com a renúncia dos líderes.