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Pastor Marcos Granconato diz que é pecado mulher pregar na igreja

Em resposta a seguidor na caixinha do Instagram, pastor afirma que a Bíblia proíbe a pregação feminina no culto e fundamenta a posição na criação e na queda narradas em Gênesis.

Por Izael Nascimento • Publicado em 19/09/2025 às 09h18
Marcos Granconato - @Reprodução
Marcos Granconato - @Reprodução

O pastor Marcos Granconato respondeu, no Instagram, a uma pergunta enviada por um seguidor sobre a possibilidade de mulher pregar na assembleia.

Na gravação, ele afirma que “é errado” e que a Bíblia proíbe a prática. Segundo o pastor, a referência utilizada é 1 Timóteo 2:12, passagem na qual o apóstolo Paulo orienta quanto ao ensino público no culto. A declaração reacendeu discussões sobre interpretações bíblicas e sobre a participação feminina em púlpitos de igrejas no Brasil.

O que disse o pastor

Granconato estrutura a resposta em dois fundamentos: doutrina da criação e doutrina da queda. Ele relaciona a ordem da criação (Adão antes de Eva) e o episódio em que Eva foi enganada como bases de Paulo para restringir o ensino público da mulher no culto. Eis os trechos centrais da fala, conforme a transcrição enviada:

“Há algum problema em mulher pregar na assembleia? Não digo em ser pastora, mas pregar, sim. Isso é errado. A Bíblia proíbe isso. Primeira Timóteo 2:12 fala que a mulher não deve pregar na igreja, não deve ensinar na igreja, porque primeiro foi formado Adão e depois Eva. A base então da proibição é a doutrina da criação.

E fala que o homem não foi enganado e, sim, a mulher, e por isso então ela não… ela perdeu. Ela não pode ter. Perdeu. Não, ela nunca teve autoridade com base nisso para pregar na igreja. Segundo Paulo, esses dois fundamentos — a doutrina da criação e a doutrina da queda — são as bases para a proibição da mulher ensinar na igreja. Ela não pode exercer essa autoridade. A mulher que faz isso, mesmo de boa vontade, está indo contra a Palavra de Deus e é pecado.

Na pergunta lida por ele, aparece o termo “assembleia” de forma genérica, sem menção a denominação específica. Ao longo do vídeo, o pastor reafirma que, para ele, a orientação bíblica não autoriza mulheres a exercerem autoridade de ensino no culto e classifica a prática como pecado.

 

Interpretações e práticas no Brasil

A passagem de 1 Timóteo 2 é tema de debate histórico entre estudiosos e lideranças cristãs. Em linhas gerais, há duas abordagens predominantes:

  • Leitura restritiva (norma permanente): entende que as instruções de Paulo valem de forma atemporal para a liturgia das igrejas. Nessa visão, a pregação no culto público deve ser desempenhada por homens, e mulheres não devem exercer autoridade de ensino sobre a congregação reunida.

  • Leitura contextual (aplicação histórica): entende que o texto responde a circunstâncias específicas da comunidade original e, portanto, não impediria, hoje, que mulheres ensinem ou preguem em cultos, classes ou ministérios, desde que observadas as regras internas de cada igreja.

Na prática, o cenário brasileiro é diverso. Algumas comunidades limitam a pregação feminina no culto dominical; outras permitem o púlpito compartilhado; e há denominações que ordenam mulheres ao ministério pastoral, enquanto outras não adotam essa prática. As decisões costumam seguir regulamentos internos, orientações de conselhos e convenções e a compreensão bíblico-teológica de cada liderança local.

Além do aspecto religioso, o tema toca discussões contemporâneas sobre participação e liderança feminina em espaços de fé. Pastores, teólogas e pesquisadores citam passagens do Novo Testamento que mostram cooperação de mulheres na igreja primitiva (como Priscila e Febe) e ressaltam a distribuição de dons espirituais a todos os crentes. Já vozes que defendem a restrição enfatizam a ordem da criação, a autoridade apostólica e a leitura literal de textos como 1 Timóteo 2 e 1 Coríntios 14.

Do ponto de vista jurídico, a Constituição assegura liberdade religiosa e o direito de organizações de definirem suas regras internas, observadas as leis do país. Assim, a definição de quem pode pregar costuma ser tratada como assunto eclesiástico, deliberado por estatutos, regimentos e lideranças.

A fala de Marcos Granconato se soma a um debate que permanece ativo em comunidades cristãs e em espaços acadêmicos. Enquanto igrejas e fiéis discutem interpretação, prática e disciplina interna, especialistas recomendam que o tema seja tratado com clareza doutrinária, transparência nas normas e respeito às convicções de cada comunidade.


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