Igreja

“Não há paz”: ex-pastor descreve abusos psicológicos e cobranças na Universal

Relato aponta controle sobre vida pessoal, metas de arrecadação e ausência de apoio psicológico

Por Caio Rangel • Publicado em 05/09/2025 às 09h26
Igreja Universal (Reprodução)
Igreja Universal (Reprodução)

Uma fala recente do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), provocou forte reação de fiéis e ex-membros da denominação. No dia 14 de agosto, ao comentar a morte do pastor Lucas Di Castro, de 35 anos, que atuava na Bolívia, Macedo disse que “não choraria a morte da bezerra”, declaração que foi interpretada como insensível diante da hipótese de suicídio levantada em torno do caso.

Em vídeo, Macedo afirmou que não se deixaria abalar pela perda:
“Ele se matou. Eu senti muito. Mas eu vou ficar chorando a morte da bezerra? Eu não vou ficar chorando a morte da bezerra, não. Eu vou continuar na minha fé”, disse, criticando cristãos que, segundo ele, vivem uma fé “sentimental” e “fraca”.

A fala viralizou nas redes sociais e trouxe à tona relatos de ex-pastores sobre a cultura de pressão interna na instituição.

Ex-pastor relata abusos

Em entrevista ao UOL, um ex-pastor identificado como João* contou que não se surpreendeu com a postura de Macedo, pois afirma ter vivido anos sob controle psicológico e cobranças excessivas. Segundo ele, a Universal impõe metas de arrecadação, exige lotação nos templos e restringe liberdades pessoais de pastores e suas famílias.

“Não há sábado, domingo ou feriado. Não há folga. Não se pode casar com quem se quer, vestir o que se quer ou ter opinião própria. O tema saúde mental é tratado como fraqueza ou coisa do diabo”, relatou.

João, que deixou a igreja há seis anos, disse que só após estudar psicologia compreendeu as marcas da violência emocional vivida.

Resposta da Universal

A Igreja Universal, por sua vez, negou que o caso do pastor Lucas tenha relação com suicídio. Em nota, a instituição afirmou que os exames médicos de rotina atestavam boa saúde e que a família recebeu apoio. A direção classificou como “falsas e maldosas” as críticas feitas por desafetos da igreja.



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