O bilionário Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, está ampliando o alcance político de seu império, que já inclui a TV Record, o banco Digimais e mais de 120 empresas, além da própria igreja — que, segundo o IBGE, conta com 1,8 milhão de fiéis — e do partido Republicanos, que possui 44 deputados federais, quatro senadores e 433 prefeitos em seu quadro.
Para fortalecer sua influência nas eleições de 2026, a Universal intensificou a atuação do grupo Arimateia, responsável por preparar fiéis para o envolvimento direto na política e garantir apoio a candidatos ligados à denominação. O grupo é coordenado pelo bispo Alessandro Paschoal, que também atua como chefe de gabinete do deputado estadual paulista Gilmaci Santos (Republicanos). Só em julho, Paschoal recebeu um salário bruto de R$ 34,7 mil da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Mensagens, vídeos e entrevistas com conteúdo político têm sido encaminhados por Paschoal aos coordenadores regionais, que os repassam aos pastores locais. Estes, por sua vez, distribuem os links aos fiéis de cada templo, como revelou ao Intercept um pastor da igreja que pediu anonimato por temer represálias.
Em um vídeo divulgado em agosto, Paschoal associou o “tarifaço” do presidente dos EUA, Donald Trump, a uma possível derrota da direita no Brasil, afirmando que a esquerda poderia usar o tema para ganhar força, como, segundo ele, ocorreu no Canadá e no México. Ele descreveu a disputa política como uma “guerra espiritual” e convocou os “cristãos conservadores” a orarem e agirem para evitar o avanço da esquerda.
Pastores e obreiros têm sido orientados a divulgar conteúdos de pré-candidatos ligados à Universal, como Wellington Cardoso e Ricardo Quirino, ambos do Republicanos, e a cumprir metas de engajamento: templos grandes precisam mobilizar 700 fiéis por programa, enquanto os menores devem garantir pelo menos 300. Os líderes que não alcançam as metas podem ser punidos e transferidos para igrejas de menor porte.