A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de 16 de setembro de 2025, em dois turnos, a chamada PEC da Blindagem (PEC 3/2021). O placar foi 353 a 134 no 1º turno e 344 a 133 no 2º. A proposta segue agora ao Senado.
Entre os votos favoráveis, chamaram a atenção dois nomes muito conhecidos do público evangélico: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Marco Feliciano (PL-SP), ambos pastores e vozes influentes em pautas de costumes no Congresso. Em listas oficiais e compilações publicadas após a sessão, Sóstenes aparece entre os parlamentares do Rio de Janeiro que votaram a favor; Feliciano também figura como “sim” na relação paulista.
O que muda com a PEC — e por que o voto deles importa
A PEC reforça as prerrogativas de deputados e senadores. Em linhas gerais, qualquer medida penal contra parlamentar (inclusive em flagrante de crime inafiançável) passa a depender de autorização do próprio Congresso, por maioria absoluta e voto secreto. A proposta ainda amplia salvaguardas processuais, elevando o patamar de proteção dos mandatos. Após a conclusão dos destaques, o texto segue ao Senado para nova rodada de discussão.
No caso de Sóstenes Cavalcante, pastor ligado a causas morais e autor de projetos com forte repercussão entre cristãos, o “sim” reforça sua sintonia com a orientação predominante do PL na votação.
Já Marco Feliciano, também pastor e um dos nomes mais conhecidos da bancada evangélica, votou “sim”.
Reação no meio evangélico e leitura política
A decisão de dois pastores-deputados de apoiar a blindagem parlamentar gerou repercussão imediata em grupos e páginas de fiéis. Entre os que aplaudem, o argumento é que o Legislativo precisa resguardar sua independência diante de medidas judiciais consideradas “excessivas” por parte do STF, preservando o equilíbrio entre os Poderes.
Entre os críticos, a percepção é de que a PEC afrouxa o combate à corrupção e afasta a prestação de contas de quem ocupa cargo público — o que, dizem, contradiz o discurso historicamente rigoroso de parte da bancada evangélica em temas de lei e ordem.
Politicamente, o “sim” de Sóstenes e Feliciano revela um alinhamento com a maioria do centrão e da direita que articulou a aprovação do texto.