Política

Sóstenes rejeita texto alternativo e defende anistia ampla que inclua Bolsonaro

Proposta que pode incluir Bolsonaro enfrenta resistência política e críticas da sociedade civil

Por Caio Rangel • Publicado em 04/09/2025 às 09h45
Jair Bolsonaro e Sóstenes Cavalcante (Reprodução)

O pastor e deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) declarou não apoiar a proposta de um texto alternativo para o Projeto de Lei da Anistia, que trata dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A versão em discussão beneficiaria apenas os manifestantes considerados de “baixa patente”, conhecidos como a “infantaria”, deixando de fora lideranças e articuladores.

Segundo apuração do analista político Pedro Venceslau para o Bastidores CNN, esse formato de anistia contemplaria apenas aqueles que participaram dos atos sob o chamado efeito manada. A ideia é excluir quem teve papel de comando ou influência direta na organização dos episódios.

Defesa da anistia total

Sóstenes, no entanto, afirmou que qualquer proposta precisa ter alcance mais amplo, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o parlamentar, restringir o benefício a apenas parte dos envolvidos criaria uma espécie de “anistia seletiva”, o que não seria aceitável para a base bolsonarista.

As negociações ocorrem em meio a um acordo entre parlamentares bolsonaristas e membros do Centrão. Pelo entendimento, um grupo apoiaria a anistia em troca de suporte à chamada PEC das Prerrogativas, que amplia garantias aos parlamentares.

O tema deve voltar à pauta na próxima reunião do Colégio de Líderes, que também discutirá mudanças no foro privilegiado.

Mesmo que avance na Câmara, o projeto tende a enfrentar forte resistência no Senado Federal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já se manifestou contrário a qualquer proposta que contemple Bolsonaro.

Nos bastidores, aliados do ex-presidente têm sinalizado a possibilidade de obstruir votações caso não seja apresentada uma proposta de anistia que beneficie todos os investigados, incluindo o próprio Bolsonaro. O impasse amplia a tensão entre Congresso, STF e Planalto, num dos temas mais sensíveis da atual legislatura.

A discussão deve se intensificar nas próximas semanas, já que o tema divide não apenas o Parlamento, mas também a opinião pública. Enquanto setores defendem a anistia como gesto de pacificação nacional, críticos alertam que ela poderia representar impunidade diante de ataques graves ao Estado Democrático de Direito.



Logo Fuxico Gospel

DIGITE SUA BUSCA

Este site utiliza cookies essenciais para garantir o funcionamento adequado. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.