Política

Cotado por Lula, Jorge Messias pode ser o segundo evangélico da história do Supremo

Caso seja confirmado, dividirá a Corte com André Mendonça, indicado por Bolsonaro em 2021

Por Caio Rangel • Publicado em 14/10/2025 às 08h50
Jorge Messias (Reprodução)

O nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, voltou a circular com força nos bastidores de Brasília como um dos cotados para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A possibilidade vem sendo vista com entusiasmo por lideranças evangélicas, que destacam o ineditismo de uma eventual composição com dois ministros crentes na mais alta Corte do país — Messias e André Mendonça.

Ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias tem buscado apoio tanto entre progressistas quanto entre conservadores evangélicos, construindo pontes políticas em um setor historicamente dividido. Frequentador da Igreja Batista Cristã em Brasília desde 2016, ele atua como diácono e chegou a integrar o conselho fiscal da congregação liderada pelo pastor Sérgio Carazza, ex-secretário-executivo da ex-ministra Damares Alves.

Carazza o define como um “evangélico raiz”, de perfil discreto e fiel aos valores cristãos:

“Ele sempre foi atuante na igreja, um homem de fé e de princípios, mesmo depois de se tornar ministro”, afirmou o pastor.

Criado em um lar cristão no Recife, Messias costuma mencionar a influência dos pais, Edna e Edson, em sua formação espiritual. Com forte interlocução com igrejas históricas — como batistas e presbiterianas —, ele também vem se aproximando do meio pentecostal e neopentecostal, participando desde 2023 da Marcha para Jesus, organizada pelo bispo Estevam Hernandes.

Em 2025, o ministro foi aplaudido ao discursar no evento e declarar “amor e respeito” ao apóstolo Estevam, entregando-lhe uma carta em nome do presidente Lula.

Mesmo entre pastores próximos ao bolsonarismo, Messias não enfrenta rejeição direta. Silas Malafaia, por exemplo, afirmou discordar de sua ideologia, mas reconheceu sua conduta moral:

“Não tenho nada contra ele. Divergimos em ideias, mas não na integridade.”

Se for indicado, Messias se tornará o segundo evangélico na história do STF, ao lado de André Mendonça, também ex-advogado-geral da União e hoje ministro da Corte.



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