O deputado federal e bispo licenciado da Igreja Universal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), causou repercussão ao cantar uma música de sua autoria durante um culto da bancada evangélica no Congresso Nacional, na quarta-feira (15). A canção, em tom de adoração, defende a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Diante de cerca de 15 parlamentares, o ex-prefeito do Rio de Janeiro apresentou o refrão — “Batom na estátua não apaga a esperança” — e mencionou personagens que se tornaram símbolos do movimento, como “Débora do Batom”, um vendedor de algodão-doce e uma idosa com a Bíblia na mão.
O vídeo, divulgado no canal oficial de Crivella no YouTube, mistura imagens de protestos, discursos políticos e cenas do deputado em estúdio, com um tom de resistência e apelo emocional.
A composição se soma a uma das principais pautas da direita brasileira, que tem defendido o perdão judicial aos envolvidos nas invasões de 8 de janeiro de 2023.
O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, mantêm posição firme contra a medida, argumentando que os ataques representaram uma tentativa de subversão da ordem democrática e que as punições são essenciais para preservar o Estado de Direito.
Desde os episódios, mais de 1.400 pessoas foram presas, incluindo manifestantes, organizadores e financiadores. As investigações apontam que muitos participaram de forma coordenada, com apoio logístico e financeiro para os atos. Parte dos detidos já recebeu penas que ultrapassam 10 anos de prisão, enquanto outros aguardam julgamento em prisão domiciliar ou sob medidas cautelares.
Nos bastidores do Congresso, o gesto de Crivella dividiu opiniões. Parlamentares ligados à direita elogiaram a iniciativa como um “ato de fé e empatia cristã”, enquanto críticos classificaram a apresentação como tentativa de transformar um ato antidemocrático em símbolo de perseguição religiosa.
https://www.instagram.com/reel/DP40xYdkYVB/?