O site Jornalismo Livre, da jornalista Mireli Martins, de Ponta Grossa–PR, trouxe à tona uma polêmica envolvendo a Prefeitura Municipal e a contratação do cantor gospel Marcus Salles para a Marcha para Jesus 2025, agendada para o dia 1º de novembro.
Segundo Mireli, a administração municipal oficializou o acordo por meio do Termo de Inexigibilidade de Licitação nº 110/2025, no valor de R$ 80 mil, alegando que a licitação seria desnecessária por se tratar de um artista de notoriedade.
O evento, que terá início às 17h na Praça Barão de Guaraúna, percorrerá as principais ruas da cidade e faz parte de uma mobilização mundial considerada “o maior evento popular cristão do mundo”.
A contratação reacendeu o debate sobre o uso de recursos públicos em eventos de cunho religioso e o princípio da laicidade do Estado. Marcus Salles, pastor da Igreja Projeto Vida Nova/Tenda do Leão, no Rio de Janeiro, será a atração principal do evento.
Mireli Martins lembrou que o caso ocorre poucas semanas após o evento “Fé Ponta Grossa”, também promovido pela Prefeitura, com programação exclusivamente evangélica e custo estimado em R$ 1 milhão. Na ocasião, o Ministério Público já havia solicitado esclarecimentos sobre o uso de verbas públicas e a ausência de pluralidade religiosa.
Para a jornalista, a repetição de eventos patrocinados com exclusividade evangélica pode configurar favorecimento institucional a um grupo religioso, contrariando o artigo 19 da Constituição Federal de 1988, que define o Estado brasileiro como laico.
Mireli também alertou para o uso frequente da inexigibilidade de licitação em contratações artísticas no meio gospel, o que, segundo ela, pode indicar falta de transparência e critérios objetivos.
Ela concluiu pedindo que órgãos de controle e a sociedade civil fiscalizem essas práticas, garantindo que recursos públicos respeitem a pluralidade religiosa e que o poder público não privilegie uma fé em detrimento de outras.