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Em áudio, pastor adventista cobra prefeito de Sobral: “me prometeu R$ 15 mil”

Evandro Cunha, pastor da Igreja Adventista e assessor especial, pede pagamento de R$ 10,5 mil e defende promessa de remuneração líquida de R$ 15 mil.

Por Izael Nascimento • Publicado em 23/10/2025 às 08h48
Pastor Evandro Cunha - @Reprodução
Pastor Evandro Cunha - @Reprodução

O pastor Evandro Cunha, da Igreja Adventista do Sétimo Dia e assessor especial da Prefeitura de Sobral (CE), aparece em um áudio dirigido ao prefeito Oscar Rodrigues (União Brasil) cobrando o pagamento de R$ 10,5 mil e um reajuste que, segundo ele, teria sido prometido para elevar a remuneração líquida a R$ 15 mil.

Na gravação, à qual a reportagem teve acesso, o religioso afirma que a participação no governo gerou desgaste com setores da comunidade evangélica e que há limites para permanecer no cargo.

No início da mensagem, o pastor diz manter “carinho” e “respeito” pelo prefeito, mas argumenta que a situação chegou ao limite: “Veja bem, o senhor chamou Judá, Alan, João, Paulo no meio de janeiro e disse que o meu salário sairia, pelo menos de dez mil e quinhentos. Não saiu, doutor”.

Em seguida, ele pede que o valor seja pago “esta semana” e associa a cobrança a despesas pessoais e familiares: “Estou precisando para pagar a questão da minha filha”.

O áudio também traz uma defesa da valorização do próprio trabalho e a menção à promessa de remuneração: “Quero os quinze mil líquido […] Volto a falar, quero os dez mil e quinhentos do mês de janeiro”. Em outro trecho, o pastor condiciona a permanência no governo ao cumprimento do que diz ter sido combinado:

“Não voltarei se não me der os dez mil e quinhentos reais do mês de janeiro esta semana”.

Ao longo da mensagem, Evandro Cunha destaca ser pastor adventista e relata efeitos de sua atuação política sobre a imagem dentro da própria denominação. Ele afirma que deixou de ser convidado para pregar: “Perdi meu prestígio com a Igreja Adventista, a igreja que eu amo, a igreja que eu sempre preguei. Faz dois anos que eu não consigo pregar”.

O pastor também cita tensões interdenominacionais ao comentar aproximação com líderes católicos, com religiosos de matriz africana e com pastores pentecostais. Segundo a sua avaliação, essa convivência política teria repercutido negativamente entre fiéis adventistas.

Em tom de desabafo, ele diz que a associação com diferentes grupos religiosos e com a política local teria alimentado críticas: “Queimando minha imagem até os dentes pra receber o quê? A ingratidão?”.

Ouça o áudio:

O que dizem as partes

A reportagem solicitou posicionamento ao prefeito Oscar Rodrigues e à Secretaria de Governo de Sobral sobre o teor do áudio, a situação funcional do assessor e as alegações de promessa de remuneração e pagamento pendente. Assim que houver retorno, este texto será atualizado.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia também foi procurada para comentar os impactos relatados pelo pastor em sua atuação ministerial e os reflexos do exercício de cargos públicos por membros da igreja. Não houve resposta até a última atualização desta publicação.


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