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Pastor vira réu, tem R$ 1 milhão bloqueado e segue pedindo pix em lives

Ministério Público acusa o pastor de chefiar esquema que movimentou R$ 3 milhões em 3 meses

Por Caio Rangel • Publicado em 02/10/2025 às 08h15
Profeta Santini (Reprodução)

Mesmo após virar réu por oito crimes, incluindo charlatanismo, curandeirismo, estelionato e associação criminosa, o autointitulado Profeta Santini — nome usado pelo pastor Luiz Henrique dos Santos Ferreira — continua pedindo doações em dinheiro por meio de três lives diárias nas redes sociais.

A situação ganhou repercussão depois da Operação Blasfêmia, deflagrada pelo Ministério Público e Polícia Civil na última semana. As investigações revelaram que o grupo liderado por Santini movimentou mais de R$ 3 milhões em apenas três meses, cobrando até R$ 1,5 mil por supostas “promessas de cura” e “milagres”.

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão encontrado em contas ligadas ao pastor e à sua igreja, Casa dos Milagres, em São Gonçalo–RJ. Apesar da gravidade das acusações, Santini não foi preso, mas cumpre medida cautelar com tornozeleira eletrônica.

Segundo o MP, a mãe de um filho de dois anos do pastor, Thuane Pereira dos Santos, também recebia depósitos em sua conta pessoal: foram 2.600 transferências em dois meses, somando mais de R$ 425 mil. Ela é irmã de Flávia Pereira, contadora de Santini, e ambas agora são investigadas por possível lavagem de dinheiro.

As autoridades descobriram ainda uma central telefônica operada pelo grupo, com cerca de 70 atendentes contratados pela internet, que se passavam pelo pastor. Eles tinham metas financeiras de arrecadação e recebiam comissão proporcional ao valor arrecadado.

Fiéis enganados e vítimas idosas

As doações foram rastreadas em 18 estados e no Distrito Federal, incluindo casos de pessoas que chegaram a enviar dezenas de transferências. Entre os mais vulneráveis estavam idosos, como uma senhora de 62 anos que doou 85 vezes e um homem de 82 anos que fez 19 depósitos.

Segundo a denúncia, a prática ultrapassa o campo da fé: “A diferença entre dízimo e estelionato é a fraude. Quando a arrecadação se dá por meio de engano e manipulação, trata-se de crime”, afirmou o promotor Bruno Humelino.

Defesa

Apesar das acusações, Santini afirma ser vítima de perseguição religiosa. Ele alega ter formação em teologia e mais de dez anos de atuação como pastor. “Colaborei com tudo, não encontraram nada contra mim. Isso é perseguição à minha fé”, declarou.



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