A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou, nesta quarta-feira (8), um esquema que usava a linguagem religiosa como fachada para aplicar golpes em fiéis. De acordo com a 57ª DP (Nilópolis), 35 pessoas foram presas, entre elas um pastor apontado como líder do grupo.
A investigação indica que a quadrilha operava um call center religioso e cobrava por “orações personalizadas”, com mensagens geradas por inteligência artificial (IA), mediante pagamentos por Pix ou boleto.
Como funcionava o esquema, segundo a polícia
O inquérito aponta que o esquema era administrado como uma empresa formal, com metas diárias de ligações, scripts de abordagem e acompanhamento de conversão por atendente. As ligações prometiam “bênçãos”, “curas” e “respostas imediatas”, com valores que, em regra, partiam de R$ 50 por solicitação. Conforme a investigação, as supostas orações eram montadas por IA e adaptadas ao pedido de cada vítima.
Ainda segundo a Polícia Civil, a esposa do pastor preso recebia parte dos depósitos e coordenava as entradas financeiras. A estimativa é de faturamento anual de aproximadamente R$ 3 milhões.
A operação cumpriu mandados de prisão e de busca para interromper a atividade do call center e colher provas digitais e financeiras. A polícia afirma que segue apurando outros possíveis beneficiários e eventuais líderes que não estavam no local no momento das prisões. Os detidos foram levados para unidades da Polícia Civil, e o material apreendido — computadores, celulares, planilhas e comprovantes — será periciado.
A ação ocorre em meio à repercussão de casos semelhantes, como o do autointitulado “Profeta Santini” (Luiz Henrique dos Santos Ferreira), acusado de explorar financeiramente a fé com promessas de “cura” e “milagres”.
Nesse caso, houve denúncia por crimes como estelionato e charlatanismo e bloqueio judicial de valores; mesmo monitorado eletronicamente, ele teria mantido transmissões on-line pedindo doações, conforme apurações oficiais em curso. A Polícia Civil do RJ informa que os inquéritos não se confundem, mas revelam padrão de abordagem e captação de valores por apelos religiosos.
O que diz a lei e como as vítimas podem proceder
Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que práticas de exploração financeira com promessas de “cura” e “bênçãos” mediante pagamento podem, a depender do caso concreto, se enquadrar em crimes como estelionato (art. 171 do Código Penal), charlatanismo (art. 283 do CP) e até organização criminosa (Lei 12.850/2013), conforme a estrutura e divisão de tarefas apuradas.
Quem foi contatado por esquemas dessa natureza ou realizou pagamentos pode registrar ocorrência presencialmente ou pela Delegacia Virtual, reunir comprovantes (extratos, prints, gravações) e buscar orientação nos canais oficiais da polícia e de defesa do consumidor.
Versão da defesa
Até a última atualização desta matéria, as defesas dos presos não haviam sido localizadas. O espaço permanece aberto para manifestações.
O O Fuxico Gospel procurou as defesas e os órgãos citados e mantém o espaço aberto para manifestação das partes mencionadas nesta reportagem.
As informações acima têm base em documentos oficiais, declarações públicas e dados fornecidos pelas autoridades responsáveis. Solicitações de correção ou direito de resposta podem ser enviadas para contato@ofuxicogospel.com.br.