BRASÍLIA (DF) — A imagem de maços de dinheiro escondidos em um saco plástico preto no fundo de um armário tornou-se o símbolo da Operação Galho Fraco, deflagrada nesta sexta-feira (19).
O flagrante ocorreu no apartamento funcional do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), em Brasília. Ao todo, a Polícia Federal (PF) contabilizou cerca de R$ 430 mil em notas de cem.
A pergunta que domina os bastidores políticos e as redes sociais é uma só: de onde veio esse valor e por que ele estava oculto de forma tão rudimentar?

A tese do “Dinheiro de Volta”
Para os investigadores da PF, a resposta está na quebra de sigilo bancário de empresas que prestam serviços à Câmara. A principal suspeita é a empresa Harue Locação de Veículos.
Segundo o relatório enviado ao STF, o esquema funcionava com a emissão de notas fiscais superfaturadas ou totalmente falsas de aluguel de carros blindados.
A Câmara pagava o valor oficial à locadora. Em seguida, a empresa sacava o dinheiro na boca do caixa e o devolvia aos parlamentares em espécie, evitando o rastro digital do sistema bancário.
A PF sustenta que o dinheiro encontrado hoje é o “resíduo” de uma movimentação que pode ter chegado a R$ 23 milhões. O uso de sacos plásticos para guardar o montante é visto como um indício de crime.

Guardar quase meio milhão de reais em casa, sem declaração prévia e em espécie, é uma prática comum em crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Até o momento, Sóstenes Cavalcante não apresentou uma justificativa para a origem do dinheiro. O silêncio do parlamentar aumenta a pressão política sobre a liderança do PL na Câmara.
Contradição e silêncio do parlamentar
Em dezembro de 2024, durante a fase anterior da investigação, Sóstenes desafiou as autoridades. Ele afirmou que sua vida era um “livro aberto” e que não havia nada ilícito em seu gabinete.
O achado desta sexta-feira, no entanto, coloca o deputado em uma situação de difícil explicação jurídica. O ministro Flávio Dino já sinalizou que a manutenção de altos valores em espécie reforça a necessidade das buscas.
Enquanto Carlos Jordy, também alvo da operação, alega “perseguição política”, o foco da PF sobre Sóstenes agora é financeiro: rastrear se o dinheiro do saco preto coincide com os saques feitos pela locadora Harue.
O espaço segue aberto para manifestação das partes. Erros ou Direito de Resposta? contato@ofuxicogospel.com.br.