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Pastor rejeita discurso de “cura gay” e defende renúncia diária como caminho de fé

Líder da Catedral Pentecostal, casado há 25 anos, afirma que mantém vigilância constante para não retornar às antigas práticas e defende acolhimento sem discriminação

Por Caio Rangel • Publicado em 09/01/2026 às 10h18
Clóvis Bernardo ministra durante culto, vestindo traje formal preto com detalhes prateados
Clóvis Bernardo durante ministração em culto, em momento de ensino e exortação. (Foto: Reprodução)

JOÃO PESSOA (PB) — O pastor Clóvis Bernardo, líder da Catedral Pentecostal, voltou ao centro do debate religioso ao afirmar, durante participação em um podcast, que “não existe cura gay”. A declaração repercutiu amplamente por partir de uma liderança conhecida por seu testemunho de conversão, após um passado no qual viveu como travesti.

Para Clóvis, a transformação espiritual não acontece por meio de um evento pontual ou experiência isolada, mas por uma decisão contínua de renúncia. Ele sustenta que a fé cristã não elimina automaticamente desejos ou conflitos internos, exigindo vigilância constante.

“É uma luta diária”

Ao relembrar sua trajetória, o pastor mencionou o período em que adotava o nome Anastácia e afirmou que o passado não pode ser romantizado. Segundo ele, a batalha é permanente e exige atenção integral. “Se eu der alguma brecha, tenho certeza que isso volta”, declarou, reforçando que não acredita em mudanças definitivas anunciadas como fórmulas espirituais.

Clóvis também criticou líderes que divulgam publicamente supostas curas irreversíveis. Ele relatou ter acompanhado casos de pessoas que celebraram a “cura” em cultos ou eventos, mas que posteriormente retornaram às práticas anteriores, muitas vezes de forma ainda mais intensa. Para o pastor, esse tipo de discurso gera frustração, culpa e sofrimento silencioso.

Ministério marcado pelo acolhimento

À frente da Catedral Pentecostal, ao lado da esposa, a missionária Socorro Bernardo, Clóvis afirma conduzir uma igreja com postura de acolhimento. Ele diz não fechar as portas para ninguém e relata que costuma visitar travestis em suas próprias casas para prestar auxílio em necessidades básicas e oferecer apoio espiritual.

O pastor reconhece que sua voz e seus trejeitos ainda causam estranhamento em alguns ambientes religiosos, mas afirma que utiliza essa característica como ponte de empatia, especialmente com pessoas que se sentem marginalizadas dentro das igrejas.

Um discurso em transição

O debate sobre a chamada “cura gay” — termo associado às terapias de reversão sexual — é alvo de resoluções internacionais de saúde e intensas disputas no campo político e jurídico brasileiro. Em 2026, o avanço de políticas de inclusão e o combate à discriminação têm pressionado lideranças religiosas a reverem abordagens históricas.

Nesse contexto, o posicionamento de Clóvis Bernardo sinaliza uma mudança dentro de setores do pentecostalismo: o abandono de promessas milagrosas de transformação biológica em favor de uma teologia baseada no domínio próprio, na cruz e, na verdade, sobre o conflito humano. A proposta, segundo ele, é substituir discursos triunfalistas por uma fé mais honesta, humana e responsável.

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