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Marco Feliciano afirma que ministério pastoral não é cancelado pelo divórcio

Pastor e deputado inicia série de sete dias sobre divórcio no meio gospel e afirma que igrejas não têm o direito de silenciar ministros que enfrentaram separação

Por Caio Rangel • Publicado em 12/01/2026 às 10h49 • Atualizado em 12/01/2026 às 11h12
Pastor Marco Feliciano ministrando com olhos fechados e expressão de concentração durante culto evangélico no púlpito.
Marco Feliciano ministra durante culto evangélico, em momento de oração e reflexão espiritual. (Foto: Divulgação)

O pastor e deputado federal Marco Feliciano voltou ao centro do debate evangélico ao criticar publicamente a condução institucional dos casos de divórcio no meio cristão. Em vídeo divulgado neste domingo (11), o líder da Catedral do Avivamento afirmou que a postura adotada por igrejas e convenções tem produzido danos profundos a ministros e famílias em todo o país.

Mesmo reafirmando sua posição pessoal contrária ao divórcio, Feliciano foi categórico ao diferenciar conflitos conjugais de situações de violência. Para o parlamentar, há um erro grave quando lideranças tentam tratar agressões físicas e abusos apenas como questões espirituais. Ele defende que permanecer em ambientes violentos não pode ser confundido com submissão cristã.

Segundo o pastor, transformar sofrimento em “prova espiritual” representa negligência pastoral e expõe vítimas a riscos reais. Feliciano enfatiza que, em casos de agressão, a orientação correta deve incluir o acionamento das autoridades competentes, e não apenas aconselhamento religioso.

Impactos familiares e emocionais

Durante o pronunciamento, o deputado reconheceu que o divórcio gera consequências duras, especialmente para os filhos, além de provocar danos emocionais e até físicos nos envolvidos. Ele pondera que relacionamentos profundamente desgastados não se restauram de forma imediata e que insistir em manter estruturas falidas pode ampliar o sofrimento.

Ainda assim, Feliciano reforça que a ruptura conjugal não representa o fim da vida emocional ou espiritual. Para ele, é possível reconstruir a trajetória pessoal e encontrar estabilidade após a separação, sem que isso signifique abandono da fé.

Ministério não pode ser cancelado

O ponto mais sensível da fala do pastor diz respeito à atuação ministerial de líderes divorciados. Feliciano questiona a legitimidade de convenções que afastam ou desautorizam ministros com base exclusivamente em sua condição civil. Em sua avaliação, nenhuma instância institucional tem poder para anular uma vocação concedida por Deus.

O deputado sustenta que dons espirituais não são revogáveis por falhas humanas e que a unção não está condicionada à perfeição conjugal. A exclusão automática de líderes divorciados, segundo ele, representa uma distorção teológica e pastoral.

Mudança de cenário no meio evangélico

A fala de Marco Feliciano surge em um contexto de transformação social e religiosa. O aumento dos índices de divórcio no Brasil atinge também o público evangélico, pressionando denominações a reverem normas rígidas que resultam na perda de quadros experientes.

O posicionamento do parlamentar, conhecido por sua atuação conservadora e política, indica um movimento estratégico: atualizar o discurso institucional para evitar o esvaziamento de lideranças e a migração de ministros para igrejas independentes, onde o acolhimento a divorciados já é prática consolidada.

A discussão expõe uma tensão crescente entre tradição, realidade social e preservação da influência institucional no evangelicalismo brasileiro.

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