RIO DE JANEIRO (RJ) — “Por onde anda Vitorino Silva?” A pergunta segue recorrente entre fiéis que acompanharam a trajetória de um dos nomes mais emblemáticos da música evangélica brasileira. Aos 86 anos, Vitorino Silva permanece em atividade, mantendo apresentações regulares no estado do Rio de Janeiro e preservando uma saúde vocal que desafia o tempo.
Uma infância marcada por perdas e superação
A história de Vitorino Silva começa longe dos palcos. Órfão ainda muito jovem, ele enfrentou uma infância de extrema vulnerabilidade social. Nascido com deficiência no braço direito, conviveu desde cedo com o preconceito. Ainda assim, o talento falou mais alto. Na década de 1950, passou a integrar grupos musicais, dando os primeiros passos em uma vocação que se mostraria incontornável.
Da criminalidade à conversão
Na juventude, movido pelo desejo de reconhecimento e sucesso, Vitorino se envolveu com a criminalidade, chegando a praticar roubos e atuar no tráfico de entorpecentes. O ciclo foi interrompido de forma abrupta quando recebeu o diagnóstico de câncer no pulmão, sendo desenganado pelos médicos. Pouco tempo depois, segundo seu próprio testemunho, teve um encontro com o Evangelho e relatou uma cura considerada milagrosa, fato que redefiniu completamente sua trajetória.
Consolidação no gospel nacional
A conversão marcou também o início oficial de sua carreira gospel. Entre 1962 e 1963, Vitorino gravou seu primeiro álbum, Saí a Procurar, abrindo caminho para uma projeção nacional. Ao longo dos anos 1970, lançou discos que foram amplamente acolhidos pelo público evangélico, como Consola o Meu Coração, Deus e a Natureza, Deus Tem Um Plano, Jubila Irmão e Olhando o Céu.
Foi, porém, na década de 1980 que sua carreira atingiu o auge. Álbuns como Há Um Porquê, És e, especialmente, Não Chores Mais consolidaram Vitorino como referência absoluta. Este último é frequentemente citado por críticos e produtores como o disco mais importante da música cristã contemporânea brasileira.
Excelência musical e reconhecimento
A parceria com o maestro Misael Passos elevou o padrão técnico de suas produções, unindo arranjos orquestrais refinados à potência vocal do tenor. As participações em cruzadas evangelísticas lideradas por Bernard Johnson ampliaram ainda mais sua visibilidade.
Na década de 1990, Vitorino passou pelas principais gravadoras do país. Já nos anos 2000, firmou contrato com a Patmos Music, selo da CPAD, onde lançou álbuns relevantes e um DVD em 2009. Sua trajetória também foi registrada em biografia escrita pelo historiador Elvis Tavares.
Onde está Vitorino Silva hoje
Atualmente, Vitorino Silva segue ativo, com agendas concentradas no Rio de Janeiro. Mesmo aos 86 anos, impressiona pela capacidade de alcançar tons altíssimos, preservando características vocais que o consagraram na era de ouro do rádio evangelístico.
O reconhecimento extrapola o meio evangélico. O cantor Roberto Carlos já declarou publicamente considerar Vitorino um dos maiores cantores do Brasil.
Mais do que um artista longevo, Vitorino Silva permanece como símbolo vivo da tradição vocal, da excelência musical e da história do gospel nacional, atravessando gerações sem perder relevância nem potência.
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