BRASIL — A prática de ungir a casa com óleo é um dos costumes mais enraizados no cotidiano evangélico brasileiro.
Embora muitos fiéis utilizem o ato como um gesto de fé para consagrar o lar, teólogos alertam para a linha tênue entre o simbolismo bíblico e a transformação do óleo em um objeto de superstição ou amuleto “mágico”.
Na Bíblia, a unção com óleo tinha três propósitos principais: consagração (separar algo para Deus), cura e hospitalidade.
No Antigo Testamento, o Tabernáculo e seus utensílios foram ungidos para serem dedicados ao serviço sagrado (Êxodo 30).
No contexto atual, ungir a casa serve como um ato profético e simbólico de dedicação do imóvel ao Senhor, reforçando que aquela família deseja viver sob princípios cristãos.
O que a Bíblia realmente ensina sobre o óleo?
As Escrituras não apresentam uma ordem direta para que cristãos unjam as paredes ou portas de suas casas para expulsar demônios.
O foco do Novo Testamento, como em Tiago 5, é a unção de pessoas enfermas acompanhada pela “oração da fé”.
O óleo, em si, não possui poder sobrenatural; ele é um símbolo do Espírito Santo. O poder reside na autoridade do nome de Jesus e na fé de quem ora, e não no líquido aplicado.
Quando a unção se torna superstição?
A prática vira superstição quando o fiel acredita que o óleo funciona como uma barreira física ou “escudo mágico” contra o mal.
Práticas como ungir eletrodomésticos, pneus de carros ou cantos de paredes para “blindar” o local contra ataques espirituais aproximam-se do misticismo.
Segundo estudiosos da teologia cristã, tratar o óleo como um amuleto esvazia o conceito de que a proteção do cristão vem do seu relacionamento com Deus e da obediência à Palavra.
Como realizar a unção do lar de forma correta?
- Foco na oração: O óleo é secundário. A oração de entrega da família é o ponto central.
- Entenda o símbolo: Saiba que você está separando (consagrando) o espaço, e não instalando uma proteção automática.
- Evite exageros: Não há necessidade de rituais complexos ou quantidades exageradas de óleo. Um toque simbólico é suficiente.
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