SÃO PAULO (SP) — O cantor e compositor Marcus Sales demonstrou um desconforto crescente entre os artistas de linha de frente da música gospel.
Em reflexão sincera sobre os bastidores da indústria, o artista revelou que tem recebido diversas composições geradas por inteligência artificial (IA) sem que os remetentes — muitos deles conhecidos — admitissem a origem tecnológica das obras. Para Sales, a prática revela não apenas uma falta de ética, mas um empobrecimento intelectual e espiritual do segmento.
“Isso parece mecânico”
Sales afirma que a diferença entre a composição orgânica e a algorítmica é perceptível para quem vive o processo criativo. Ele afirma que suas canções nascem de “experiências, revelações e do cotidiano”, elementos que, em sua visão, a IA jamais poderá mimetizar.
O cantor disse que o que mais o assusta é o “caminho fácil e barato” que a tecnologia propõe, levando a uma deterioração da qualidade cultural e à preguiça intelectual dos novos compositores.
O artista ressalta que não é “bitolado” contra o progresso; ele reconhece a IA como uma ferramenta útil na produção e no arranjo. Contudo, quando o assunto é o nascimento da letra e da melodia, ele disse ser intransigente: “inspiração e Espírito Santo não se programam”.
Sales destaca que a música cristã corre o risco de se tornar um produto vazio, onde sobra a estrutura técnica (baseada em padrões de músicas humanas preexistentes) e falta a alma da experiência de fé.
“O caminho mais fácil”
O cantor alerta para o impacto econômico e criativo dessa mudança. Ele aponta que a IA substitui o trabalho humano e remove o valor da jornada de quem, como ele, senta para compor com amigos (como Fernanda e Emerson) baseando-se em vivências reais.
Sales ratifica que a massificação de músicas “de micro-ondas” — sem a dor ou a alegria do compositor — torna a adoração algo mecânico, preocupando-o com o futuro da música cristã enquanto forma de comunicação espiritual.
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