Em um pronunciamento que sacudiu os bastidores do meio evangélico gaúcho, o pastor Luiz Fernando de Souza anunciou o fim de sua trajetória de 14 anos na Igreja Batista da Lagoinha.
Durante a leitura de uma carta aberta em pleno culto, o líder da unidade de São Leopoldo (RS) trouxe à tona denúncias de desigualdade financeira dentro da Lagoinha Global.
O ponto de maior impacto na fala do pastor foi a denúncia sobre as disparidades salariais na cúpula da denominação.
Luiz Fernando afirmou que, enquanto pastores de unidades locais enfrentam crises severas, figuras do “andar de cima” gozam de privilégios astronômicos.
Denúncia de salário de R$ 1 milhão por mês
O pastor destacou que não faz sentido as exigências financeiras impostas pela Global diante da realidade da base. Ele expôs que, em um cenário de cobranças rígidas, havia disparidades chocantes no pagamento de líderes.
“Não faz sentido pra mim ouvir de um pastor líder da global que um pastor vocacionado deva dar dois passos atrás e procurar um emprego secular para sustentar a sua família, mas sem deixar de cumprir as exigências financeiras da Lagoinha Global. Enquanto até pouco tempo um pastor conhecido recebia cerca de um milhão de salário por mês”.
O líder religioso ressaltou que muitos pastores locais precisam decidir entre cumprir a obrigação de enviar taxas de missões para a convenção ou comprar cestas básicas para suas próprias famílias.
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Ele criticou a imposição de repasses de 10% para a Global e 5% para a regional sob ameaça de exclusão, mesmo quando a igreja local está deficitária.
O pastor Luiz Fernando também mencionou o presidente da denominação, André Valadão, ao justificar sua mudança de visão sobre o ministério. Ele utilizou uma frase frequente de Valadão para ilustrar o próprio rompimento.
“Pastor André disse muitas vezes: ‘Antes era assim. Agora não é mais’. E eu digo hoje: Antes fazia sentido pra mim, agora não faz mais”. O pastor criticou o fato de a Lagoinha Global impor que pastores locais não ostentem financeiramente, enquanto líderes da cúpula exibem luxo em “carrosséis ou reels do Instagram”.
Após retornar de uma reunião em Belo Horizonte, o pastor decidiu que “estaria pecando em permanecer” diante das injustiças percebidas.
Em conversa com o presbitério local e com o pastor regional, ficou decidido que a igreja em São Leopoldo seguirá de forma independente, sem mais vínculos com a Convenção da Lagoinha Global.
O pastor Luiz Fernando enfatizou que o processo de separação ocorreu com a liberação da regional e que a igreja continuará cuidando dos fiéis de forma autônoma. “Ninguém roubou nada. Nós fomos liberados para prosseguir”, afirmou, reforçando que agiu com transparência.
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