SÃO PAULO (SP) — O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, protagonizou um momento de forte carga simbólica nesta segunda-feira (06) na capital paulista.
Durante a tradicional reunião de obreiros da Assembleia de Deus Ministério do Belém, Flávio foi recebido pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, líder histórico da denominação, reforçando a simbiose entre o bolsonarismo e as cúpulas das maiores convenções evangélicas do país.
A participação de Flávio não foi apenas protocolar; o parlamentar subiu ao altar, participou de um momento de intercessão e recebeu a bênção apostólica das lideranças presentes.
O gesto é lido por analistas políticos como uma tentativa de consolidar a “herança” do eleitorado evangélico conquistada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo a igreja como o principal alicerce de sua futura campanha presidencial em 2026.
Resistência e o Movimento “Igreja Sem Política”
No entanto, a mistura entre liturgia e palanque eleitoral volta a enfrentar resistência interna no segmento. O pastor Daniel Batista, fundador do movimento Igreja Sem Política, tem intensificado as críticas a esse modelo, que ele classifica como a transformação de igrejas em “currais eleitorais”.
Segundo o movimento, a instrumentalização da fé e a demonização de campos ideológicos opostos têm causado divisões irreversíveis nas congregações e afastado fiéis que buscam espiritualidade, não diretrizes partidárias.
O cenário para 2026 desenha-se sob a sombra de uma polarização que ainda não cicatrizou. Enquanto lideranças conservadoras apostam na força do “colégio eleitoral gospel”, vozes dissidentes alertam para o risco da perseguição institucional contra membros que não seguem a cartilha política do púlpito.
A visita ao Belenzinho é apenas o primeiro capítulo de uma jornada onde a fé será, mais uma vez, o centro da disputa pelo poder em Brasília.
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