Cantor

Davi Sacer defende músicos cristãos que tocam no secular: “é a profissão do cara”

Cantor ressalta que, embora o "mundo ideal" fosse o músico tocar apenas na igreja, a realidade financeira não ajuda

Por Caio Rangel • Publicado em 13/05/2026 às 08h39
Davi Sacer sorri durante ensaio fotográfico em ambiente interno iluminado.
Davi Sacer em registro promocional compartilhado nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

RIO DE JANEIRO (RJ) — O cantor e compositor Davi Sacer, um dos nomes mais consolidados da música cristã brasileira, trouxe à tona um debate sensível e muitas vezes evitado nos bastidores das igrejas: a atuação de músicos cristãos no mercado secular.

Em entrevista recente, Sacer saiu em defesa dos instrumentistas que, por necessidade de sobrevivência e sustento familiar, aceitam trabalhos em bares ou acompanhando artistas não evangélicos.

O Dilema entre a Vocação e o Boleto

Para Davi Sacer, a crítica dirigida a esses profissionais ignora a realidade econômica da classe musical. “O cara não sabe fazer outra coisa, é a profissão dele. Como ele vai se virar e cuidar da família?”, questionou o cantor.

Ele pontuou que, embora algumas igrejas hoje estejam mais estruturadas e ofereçam salários aos seus músicos, essa ainda não é a realidade da maioria, e que no passado a falta de visão institucional empurrou muitos talentos para fora dos templos.

A Ótica do Amor vs. O Julgamento

Apesar de sua posição compreensiva, Sacer foi claro sobre sua escolha pessoal: “Eu, Davi, não faria. Se fosse músico, não tocaria no mundo. Mas eu sou eu, outras pessoas são outras pessoas”.

Ele defendeu que o assunto deve ser tratado sob a ótica do amor e da compreensão, e não por meio de ataques de quem não vive as dificuldades da profissão. “Só quem está na pele sabe onde o calo dói”, reforçou, classificando o tema como algo complexo que exige uma conversa profunda e sem julgamentos superficiais.

A fala de Davi Sacer reverbera em um momento onde a profissionalização do músico cristão é cada vez mais discutida. O embate entre o “sagrado” e o “profissional” continua sendo um ponto de tensão, mas vozes como a de Sacer ajudam a equilibrar o discurso, focando na responsabilidade do provedor e na maturidade espiritual.

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