RIO DE JANEIRO (RJ) — O cantor e compositor Davi Sacer, um dos nomes mais consolidados da música cristã brasileira, trouxe à tona um debate sensível e muitas vezes evitado nos bastidores das igrejas: a atuação de músicos cristãos no mercado secular.
Em entrevista recente, Sacer saiu em defesa dos instrumentistas que, por necessidade de sobrevivência e sustento familiar, aceitam trabalhos em bares ou acompanhando artistas não evangélicos.
O Dilema entre a Vocação e o Boleto
Para Davi Sacer, a crítica dirigida a esses profissionais ignora a realidade econômica da classe musical. “O cara não sabe fazer outra coisa, é a profissão dele. Como ele vai se virar e cuidar da família?”, questionou o cantor.
Ele pontuou que, embora algumas igrejas hoje estejam mais estruturadas e ofereçam salários aos seus músicos, essa ainda não é a realidade da maioria, e que no passado a falta de visão institucional empurrou muitos talentos para fora dos templos.
A Ótica do Amor vs. O Julgamento
Apesar de sua posição compreensiva, Sacer foi claro sobre sua escolha pessoal: “Eu, Davi, não faria. Se fosse músico, não tocaria no mundo. Mas eu sou eu, outras pessoas são outras pessoas”.
Ele defendeu que o assunto deve ser tratado sob a ótica do amor e da compreensão, e não por meio de ataques de quem não vive as dificuldades da profissão. “Só quem está na pele sabe onde o calo dói”, reforçou, classificando o tema como algo complexo que exige uma conversa profunda e sem julgamentos superficiais.
A fala de Davi Sacer reverbera em um momento onde a profissionalização do músico cristão é cada vez mais discutida. O embate entre o “sagrado” e o “profissional” continua sendo um ponto de tensão, mas vozes como a de Sacer ajudam a equilibrar o discurso, focando na responsabilidade do provedor e na maturidade espiritual.
Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@ofuxicogospel.com.br