Política

“Bíblia não é álibi”: Carlos Bezerra Jr. critica uso da fé por figuras públicas

Ele aponta a utilização de símbolos religiosos e discursos de perseguição como estratégia de defesa frente a denúncias e investigações

Por Caio Rangel • Publicado em 01/06/2026 às 10h11
Carlos Bezerra Jr. fala para o público durante encontro realizado em auditório, gesticulando enquanto apresenta uma reflexão.
Carlos Bezerra Jr. durante participação em encontro realizado em auditório. (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO (SP) — O vereador, médico e pastor Carlos Bezerra Jr. (PSD-SP) utilizou suas redes sociais para fazer uma análise contundente sobre a interseção entre fé e poder no Brasil.

Em um vídeo que repercutiu amplamente, o parlamentar criticou o que identifica como um “padrão”: políticos que, ao serem confrontados por denúncias ou investigações, recorrem à performance religiosa — com Bíblia na mão e discursos de “perseguição” — para tentar se esquivar da prestação de contas.

Fé como escudo vs. fé como testemunho

Com mais de duas décadas de vida pública, Bezerra Jr. esclareceu que sua crítica não é contra a presença da fé no espaço público, mas contra a sua instrumentalização. Para o parlamentar, a fé que serve ao interesse público deveria inspirar serviço, responsabilidade e transparência.

“O problema é quando ela vira escudo, quando o nome de Deus entra em cena não para produzir verdade, mas para aliviar a cobrança”, pontuou o vereador. Ele argumenta que existe uma diferença abismal entre viver e expressar a fé genuína e “usar” a religião como um álibi para evitar responder a fatos concretos.

Casos emblemáticos e a ética cristã

Bezerra Jr. citou episódios recentes envolvendo diferentes figuras públicas para ilustrar como a performance religiosa é acionada justamente quando a pressão política aumenta.

O vereador foi enfático ao dizer que a Bíblia não pode substituir explicações e que o louvor não deve ser um substituto para a transparência.

Para o parlamentar, a legitimidade da fé de um político não deve ser medida pelo discurso ou pela imagem projetada, mas pelos frutos de suas ações. “A pergunta é outra: essa fé está servindo à verdade, à justiça, ou está sendo usada para proteger gente poderosa?”, questionou.

Repercussão

O posicionamento de Bezerra Jr. traz à tona um debate necessário dentro das igrejas sobre a ética na política e os limites da exposição pública da fé.

Ao classificar o uso indevido do nome de Deus como uma forma de “aliviar a cobrança”, o vereador desafia o eleitorado e a própria classe política a distinguirem o que é testemunho cristão daquilo que, segundo ele, soa apenas como uma estratégia de sobrevivência política.

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