BRASÍLIA (DF) — Os bastidores do Partido Liberal (PL) entraram em ponto de ebulição com a exposição pública de uma grave crise familiar e política na cúpula da legenda.
A ex-primeira-dama e presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, gravou um vídeo contundente nesta quarta-feira 924), confirmando ter sido “maltratada e humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O estopim do desentendimento foi o posicionamento público de Michelle contra as costuras partidárias que visavam uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Rispidez ao Telefone e Questionamento de Competência
De acordo com o relato de Michelle, a colisão ocorreu por telefone logo após ela verbalizar suas críticas ao consorciamento com a esquerda cearense.
Ao retornar suas ligações, Flávio teria sido ríspido, ordenando que ela se afastasse das grandes decisões da legenda. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone… Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, desabafou a ex-primeira-dama, que decidiu se recolher e cortar relações com o parlamentar desde o episódio.
O Trunfo de 2024 e o Recado às Fontes dos Bastidores
Como contra-ataque, Michelle colocou na mesa seu peso eleitoral e institucional, lembrando que assumiu o PL Mulher a convite de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
Ela ostentou os dados consolidados das últimas eleições municipais: percorreu as 27 unidades da Federação e ajudou a eleger 1.005 mulheres em 2024 — um salto expressivo de 45,8% em comparação ao pleito de 2020. “Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem. Mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam. Sei quem planta as narrativas na imprensa”, disparou.
O racha explícito entre a madrasta e o filho mais velho de Jair Bolsonaro redesenha as forças internas do PL para a montagem das chapas majoritárias.
Enquanto a ala ligada ao pragmatismo de Valdemar e Flávio busca acomodações regionais para inflar o tempo de TV e fundo eleitoral, o grupo liderado por Michelle defende a manutenção de um cordão sanitário moral e ideológico.
Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@fuxicogospel.com.br.