O cantor e pastor Davi Vieira Passamani entrou com uma ação na Justiça de Goiás contra a Casa Ministério Cristão, a Igreja Casa, empresas ligadas ao catálogo Casa Worship e pessoas físicas relacionadas à atual gestão das entidades.
Segundo a petição inicial do processo nº 5579469-60.2026.8.09.0051, protocolado no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás em 25/06/2026, Davi pede destituição de diretoria, intervenção judicial, administração provisória, restituição de valores, reconhecimento de confusão patrimonial e responsabilização civil.
A ação tramita na 4ª UPJ das Varas Cíveis e Ambientais de Goiânia.
Quem são os envolvidos no processo
No polo ativo da ação está Davi Vieira Passamani. No polo passivo aparecem Mariana Lovaglio Dantas Moura, Áthila Moura Barbosa, Giovanna de Almeida Lovaglio, Igreja Casa, CW Produções Ltda, Musical Produções Gospel Ltda e Casa Ministério Cristão.
A petição afirma que Davi foi fundador da Casa Ministério Cristão e exerceu a presidência da entidade de 10/09/2017 a 26/12/2023. O documento também o descreve como pastor, cantor gospel e figura central na criação e consolidação da igreja.
De acordo com a versão apresentada por Davi à Justiça, ele renunciou à presidência em 26/12/2023, em meio a um contexto familiar, mas não teria renunciado à condição de membro, fundador e líder espiritual vinculado à igreja.
A acusação central feita por Davi Passamani
A ação sustenta que, após a saída de Davi da presidência, teria ocorrido uma reorganização interna que, segundo a petição, resultou em uma espécie de controle familiar da estrutura da igreja.
O documento afirma que Giovanna de Almeida Lovaglio, então esposa de Davi, assumiu a presidência após a renúncia.
Depois, em assembleia realizada em 09/12/2024, Mariana Lovaglio Dantas Moura teria sido eleita presidente da Casa Ministério Cristão, enquanto Áthila Moura Barbosa teria assumido a tesouraria.
A petição também informa que, em 01/10/2024, foi criado outro CNPJ com o nome Igreja Casa, apontado no processo sob o nº 57.600.430/0001-61.
Segundo Davi, essa nova estrutura teria o mesmo endereço e funções semelhantes às da Casa Ministério Cristão.
Essas afirmações são alegações da parte autora e ainda dependem de análise judicial, contraditório e eventual produção de provas.
Disputa envolve royalties do Casa Worship
Um dos pontos mais sensíveis da ação envolve os direitos econômicos do catálogo Casa Worship.
Segundo a petição, uma sentença arbitral de dezembro de 2024 teria reconhecido a Casa Ministério Cristão como titular da marca Casa Worship e beneficiária das receitas futuras do catálogo.
A peça afirma que a CW Produções Ltda, CNPJ 55.302.983/0001-02, deveria atuar como veículo operacional para recebimento e tratamento tributário dos valores.
A tese de Davi é que a empresa não poderia reter de forma definitiva as receitas nem substituir economicamente a Casa Ministério Cristão.
De acordo com a ação, a Casa Ministério Cristão seria beneficiária de 90% das receitas futuras decorrentes da exploração do catálogo, marca, conteúdos e atividades correlatas, ressalvada uma cessão específica de 10% relacionada a honorários advocatícios.
Queda de receita é usada como argumento na ação
A petição compara demonstrações contábeis da Casa Ministério Cristão entre 2023, 2024 e 2025. Segundo Davi, os números indicariam queda expressiva de receita e mudança no resultado financeiro da entidade após sua saída da presidência.
| Ano | Receita operacional bruta | Resultado informado na ação |
|---|---|---|
| 2023 | R$ 5.585.624,98 | Superávit de R$ 1.480.505,08 |
| 2024 | R$ 2.025.328,71 | Déficit de R$ 124.191,86 |
| 2025 | R$ 288.462,52 | Déficit de R$ 448.880,46 |
A ação também afirma que o balanço patrimonial de 2025 teria registrado R$ 0,00 em caixa e passivo circulante de R$ 1.107.853,74.
Ao mesmo tempo, Davi sustenta que relatórios da ADA/Warner indicariam geração líquida de R$ 1.345.633,94 em royalties do catálogo Casa Worship entre janeiro de 2025 e agosto de 2025.
A tese da ação é que esses valores não teriam ingressado regularmente na contabilidade da Casa Ministério Cristão.
O que Davi Passamani pede à Justiça
No pedido de tutela de urgência, Davi solicita a destituição das atuais diretorias da Casa Ministério Cristão e da Igreja Casa. Ele também pede para ser nomeado administrador provisório das entidades pelo prazo inicial de 12 meses.
A ação pede ainda que a Justiça determine à Warner Music Brasil Ltda. o depósito judicial de valores em aberto relacionados ao catálogo Casa Worship, incluindo royalties, distribuição digital, monetização, eventual buyout, cessão, aquisição, licenciamento ou exploração econômica correlata.
Davi também requer que a Warner apresente, em até 5 dias, relatórios mensais de arrecadação desde dezembro de 2024, demonstrativos de repasses, beneficiários, contratos, aditivos, distratos, cessões e documentos financeiros relacionados ao catálogo. A petição pede multa diária de R$ 20.000,00 em caso de descumprimento.
Outro pedido é a indisponibilidade cautelar de ativos financeiros e bens ligados à CW Produções Ltda. e demais envolvidos apontados na ação, nos termos formulados pela defesa de Davi.
Documento não traz decisão final nem defesa dos réus
Até a parte analisada do documento, a ação apresenta a versão de Davi Vieira Passamani e os pedidos formulados por sua defesa. O material anexado não traz decisão final de mérito sobre as acusações.
Também não consta, no documento analisado, manifestação de mérito dos réus sobre as alegações feitas na petição inicial. Por isso, os pontos apresentados devem ser tratados como alegações da parte autora, ainda sujeitas ao contraditório e à avaliação do Judiciário.
O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.
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