BRASÍLIA (DF) — O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor e empresário fluminense Márcio Poncio em prisão domiciliar.
A decisão judicial foi proferida sob fundamentos humanitários e de ordem médica, após a assessoria jurídica do investigado apresentar relatórios detalhando o delicado estado de saúde de Poncio e a situação de vulnerabilidade gestacional de sua companheira.
Laudo Clínico e Gravidez de Alto Risco como Justificativas
O parecer assinado por Alexandre de Moraes fundamenta-se, em caráter prioritário, no histórico clínico apresentado pela defesa do pastor.
Márcio Poncio é portador de retocolite ulcerativa grave — uma enfermidade inflamatória intestinal crônica e progressiva —, diagnóstico que, em 2013, o submeteu a uma intervenção cirúrgica de alta complexidade para a remoção total do cólon, do intestino grosso e do reto.
Os defensores argumentaram a necessidade urgente de acompanhamento médico contínuo e especializado devido ao risco latente de progressão e desenvolvimento de complicações graves em ambiente carcerário.
Adicionalmente, o ministro do STF ponderou sobre a atual conjuntura familiar do empresário. A esposa de Márcio Poncio, Simone Poncio, de 50 anos de idade, atravessa uma gestação classificada como de alto risco.
Segundo o texto da decisão judicial, o quadro clínico gestacional exige cuidados ininterruptos, assistência médica especializada e suporte familiar permanente, fatores que seriam severamente comprometidos com a manutenção da custódia em regime fechado.
A concessão da detenção domiciliar está vinculada ao cumprimento estrito de medidas cautelares alternativas. Márcio Poncio será monitorado eletronicamente por meio de tornozeleira e está terminantemente proibido de utilizar redes sociais, de se comunicar com outros investigados no inquérito e de receber visitas em sua residência que não possuam autorização judicial prévia.
O empresário também entregou seus passaportes às autoridades e teve suspenso de forma imediata qualquer documento que lhe outorgasse o porte de armas de fogo.
O descumprimento de qualquer uma das cláusulas resultará na revogação do benefício e no consequente retorno ao sistema prisional.
Márcio Poncio — conhecido popularmente no Rio de Janeiro devido à atuação empresarial no setor tabagista, sendo pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) — havia sido detido no último dia 2 de julho de 2026, na esteira da quinta fase da Operação Unha e Carne, coordenada pela Polícia Federal.
A apuração foca em esquemas de lavagem de capitais vinculados à chamada “Máfia do Cigarro”, além de supostos repasses de propinas a agentes públicos com recursos originados na contravenção do jogo do bicho.
Entre os demais alvos da operação figuram o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), Rodrigo Bacellar, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como “Adilsinho”.
A conversão da prisão do pastor preserva o andamento das investigações sem prejuízo do tratamento médico e do amparo à gestante.
O desdobramento da operação partiu de apreensões de contabilidade paralela que indicavam o vazamento de operações policiais direcionadas ao Comando Vermelho e o repasse de valores a influentes figuras políticas fluminenses.
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