Histórias de Fé

Aos 11 anos, Luiza Possi saiu assustada de uma reunião religiosa; décadas depois, levou três anos para aceitar cantar gospel

Cantora contou que uma experiência traumática na infância alimentou o medo que precisou enfrentar antes de lançar seu primeiro projeto cristão.

Por Pr. Bruno Valadão • Publicado em 25/08/2026 às 21h05 • Atualizado em 25/08/2026 às 14h43
Luiza Possi durante entrevista sobre sua trajetória na música gospel
Luiza Possi relacionou a resistência ao gospel a uma experiência religiosa vivida aos 11 anos. (Foto: reprodução/Comunhão)

Luiza Possi levou cerca de três anos para assumir o projeto gospel que começava a ganhar forma em suas composições. A resistência não estava ligada apenas aos planos já construídos na música popular.

Havia uma lembrança dos 11 anos. Durante uma reunião religiosa, pessoas disseram que a menina tinha o diabo no corpo. Luiza saiu daquela experiência com medo do ambiente evangélico.

Uma experiência infantil que permaneceu na memória

O relato foi feito em uma entrevista publicada pela Revista Comunhão em junho de 2026. Segundo a artista, ela acompanhava a mãe de uma amiga quando foi exposta àquela abordagem.

Luiza definiu a situação como traumática e afirmou que passou a sentir aversão e pavor. A experiência ajuda a compreender por que a aproximação posterior com a fé evangélica não aconteceu de maneira imediata.

Décadas depois, ela já havia consolidado uma carreira, lançado discos e construído um público fora do gospel. Mudar de direção significava tocar em uma ferida antiga e mexer numa trajetória profissional conhecida.

Planos que não avançavam

A cantora disse que fez diferentes projetos para continuar por outros caminhos, mas observava as portas se fecharem. Ao recordar o período, comparou-se ao personagem bíblico Jonas, que tentou fugir da missão que recebeu.

Em uma igreja, Luiza ouviu de uma pessoa que um dia cantaria no altar e interpretaria as próprias canções. Depois, segundo seu relato, uma frase passou a acompanhá-la: “Escreva sobre nós”.

Ela começou a compor, mas ainda tentou entregar as músicas a outra cantora gospel. A saída preservaria as composições cristãs sem obrigá-la a assumir pessoalmente aquele repertório.

O projeto que passou a carregar sua própria voz

Com o tempo, Luiza concluiu que as canções estavam ligadas à experiência dela e deveriam ser apresentadas por ela. O primeiro projeto gospel marcou uma mudança de repertório, mas também uma revisão da relação com o ambiente religioso.

Em vez de apagar os caminhos anteriores, a cantora afirmou que passou a vê-los como passos que a levaram até a nova fase. A decisão não foi apresentada como impulso: foram aproximadamente três anos entre perceber a direção e parar de resistir.

Outra mudança profissional cercada de custos aparece na trajetória de Jottapê, que rompeu um contrato ao decidir deixar o funk. As histórias são diferentes, mas mostram que uma transição pública também envolve compromissos construídos antes dela.

Para Luiza, aceitar cantar gospel significou voltar ao lugar que havia provocado medo quando criança. Dessa vez, no entanto, ela chegou como adulta, autora das próprias músicas e responsável pela maneira como queria contar a história.



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