Política

Pesquisa aponta que 90% dos brasileiros reprovam candidatos nos templos

Estudo realizado em parceria pelo Iser e pela Quaest ouviu 15 mil pessoas em todo o país

Por Caio Rangel • Publicado em 25/09/2026 às 10h42
Homem de camisa branca fala ao microfone durante culto evangélico ao lado de pastores e líderes religiosos
Homem participa de momento de culto em igreja evangélica ao lado de pastores e outros líderes religiosos.

RIO DE JANEIRO (RJ) — Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com o instituto Quaest revelou que a ampla maioria dos cidadãos brasileiros reprova a mistura entre religião e política institucional nos templos.

Divulgado no último domingo (20), o levantamento ouviu 15.000 pessoas em diversas regiões do país, mapeando o comportamento, o perfil e as percepções do eleitorado frequentador de comunidades de fé.

Rejeição a palanques e a influência das lideranças em 2022

De acordo com os dados apresentados, oito em cada dez brasileiros (80%) manifestaram oposição a debates políticos em espaços religiosos, enquanto nove em cada dez entrevistados (90%) rejeitam de forma categórica a presença de candidatos fazendo campanha física dentro das igrejas.

Contudo, o estudo constatou que a prática de orientação direta de voto por parte de dirigentes religiosos ocorreu durante o pleito presidencial de 2022.

Do total de ouvidos, 11% afirmaram que a liderança da comunidade que frequentam indicou o voto em Jair Bolsonaro (PL), ao passo que 5% relataram ter recebido indicação em favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A recomendação de voto em Bolsonaro destacou-se com maior incidência entre fiéis de igrejas pentecostais (23%), seguida por protestantes tradicionais, batistas e presbiterianas (20%).

Entre os membros da Igreja Universal do Reino de Deus, 27% declararam que o pastor orientou o voto em Bolsonaro e 12% disseram o mesmo em relação a Lula, sendo que 26% desse grupo concordam com a prática de indicação política pelos líderes.

O Impacto das redes sociais e debates em 2026

A pesquisa também chamou a atenção para a capilaridade da polarização digital no meio religioso. O levantamento apontou que um em cada cinco entrevistados integra grupos religiosos em aplicativos de mensagens e redes sociais.

Destes, 48% afirmam visualizar “sempre” ou “frequentemente” conteúdos de cunho político compartilhados em comunidades no Facebook, índice que atinge 34% nos grupos de WhatsApp.

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