RIO DE JANEIRO (RJ) — Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com o instituto Quaest revelou que a ampla maioria dos cidadãos brasileiros reprova a mistura entre religião e política institucional nos templos.
Divulgado no último domingo (20), o levantamento ouviu 15.000 pessoas em diversas regiões do país, mapeando o comportamento, o perfil e as percepções do eleitorado frequentador de comunidades de fé.
Rejeição a palanques e a influência das lideranças em 2022
De acordo com os dados apresentados, oito em cada dez brasileiros (80%) manifestaram oposição a debates políticos em espaços religiosos, enquanto nove em cada dez entrevistados (90%) rejeitam de forma categórica a presença de candidatos fazendo campanha física dentro das igrejas.
Contudo, o estudo constatou que a prática de orientação direta de voto por parte de dirigentes religiosos ocorreu durante o pleito presidencial de 2022.
Do total de ouvidos, 11% afirmaram que a liderança da comunidade que frequentam indicou o voto em Jair Bolsonaro (PL), ao passo que 5% relataram ter recebido indicação em favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A recomendação de voto em Bolsonaro destacou-se com maior incidência entre fiéis de igrejas pentecostais (23%), seguida por protestantes tradicionais, batistas e presbiterianas (20%).
Entre os membros da Igreja Universal do Reino de Deus, 27% declararam que o pastor orientou o voto em Bolsonaro e 12% disseram o mesmo em relação a Lula, sendo que 26% desse grupo concordam com a prática de indicação política pelos líderes.
O Impacto das redes sociais e debates em 2026
A pesquisa também chamou a atenção para a capilaridade da polarização digital no meio religioso. O levantamento apontou que um em cada cinco entrevistados integra grupos religiosos em aplicativos de mensagens e redes sociais.
Destes, 48% afirmam visualizar “sempre” ou “frequentemente” conteúdos de cunho político compartilhados em comunidades no Facebook, índice que atinge 34% nos grupos de WhatsApp.
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