RIO DE JANEIRO (RJ) — O pastor e deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) acumulou uma derrota estrondosa nas urnas no primeiro turno das Eleições 2026.
Alçado à Câmara dos Federal em 2022 na esteira do forte apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar passou a ser rotulado como “traidor” por setores conservadores e por parte do eleitorado evangélico após adotar uma postura autodenominada independente, culminando em críticas abertas ao bolsonarismo e uma aproximação estratégica com a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da disputa.
Queda abrupta de votação e o custo do posicionamento político
A retração no capital eleitoral de Otoni de Paula foi drástica. O deputado obteve apenas 0,22% dos votos válidos no estado do Rio de Janeiro, o que representou um total de 19.364 sufrágios.
Para efeito de comparação, no pleito de 2022, surfando na onda bolsonarista, o parlamentar havia alcançado a expressiva marca de 158.507 votos.
Apesar de contar com o respaldo de lideranças eclesiásticas tradicionais e o apoio declarado dos bispos Samuel e Abner Ferreira, a base conservadora rejeitou a guinada ideológica do deputado.
Analistas políticos apontam que a mudança de tom e o apoio ao projeto petista custaram caro ao político nas urnas, transformando o descontentamento popular em um revés incontestável.
Pronunciamento de despedida e o retorno exclusivo ao altar
Diante do resultado desfavorável, Otoni de Paula utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo de agradecimento e reflexão, confirmando o encerramento de sua trajetória na vida pública partidária para se dedicar integralmente à vocação eclesiástica.
Na legenda da publicação, o político escreveu: “O cavalo se prepara para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória. Eu me preparei, lutei, falei a verdade e não tenho arrependimentos […] A política foi uma missão, mas meu verdadeiro chamado continua sendo o altar”. No vídeo, complementou: “Claro que eu pensei que daria pra gente ganhar essas eleições, mas não deu. A vontade de Deus foi feita […] Encerro esse ciclo da minha vida na política, mas com gratidão. Não tenho nenhum arrependimento”.
A derrota de Otoni de Paula consolida-se como um dos exemplos mais emblemáticos do impacto das mudanças de alinhamento político sobre o eleitorado conservador fluminense.
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