RIO DE JANEIRO (RJ) — Um dia após o resultado desfavorável nas urnas do primeiro turno das Eleições 2026, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) — que não conseguiu renovar seu mandato legislativo após obter apenas 19.364 sufrágios — voltou a movimentar o cenário político nacional ao publicar um novo pronunciamento em vídeo.
Na gravação, o parlamentar formaliza seu apoio à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa do segundo turno e justifica sua oposição frontal à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
O balanço da derrota eleitoral e a defesa da postura política
Iniciando o discurso com referências à sua trajetória religiosa e ministerial, Otoni procurou minimizar o revés nas urnas e ressaltar sua coerência ideológica perante os críticos que o rotularam de “traidor” após seu rompimento com o bolsonarismo na reta final da campanha. “Eu nunca tive esse mandato como precioso. Eu sempre soube que o meu chamado é o altar e que a política era uma missão na minha vida […] Eu perdi as eleições, mas eu quero avisar que eu não perdi a guerra”, declarou o político.
O ex-deputado reiterou que já esperava consequências políticas por suas escolhas ao longo da corrida eleitoral, afirmando que sua decisão de se distanciar da direita tradicional e declarar voto em Lula visava contrapor o projeto encabeçado por Flávio Bolsonaro.
“Se alguém pensa que me abateu, vocês estão enganados. O guerreiro vive. O guerreiro ainda está de pé e nós temos um segundo turno pela frente”, complementou.
Críticas severas a Flávio Bolsonaro e convocação para o segundo turno
No decorrer da mensagem, Otoni de Paula intensificou as críticas ao senador Flávio Bolsonaro, argumentando que a ascensão do oposicionista representaria riscos substanciais para a credibilidade das instituições religiosas no Brasil.
Para o pastor, a figura de Flávio estaria associada a práticas reprováveis que, caso venham a público em eventuais escândalos, respingariam diretamente na imagem das igrejas evangélicas.
“Flávio Bolsonaro representa não só um perigo para o país, mas representa principalmente para a Igreja. Preste atenção: teremos o primeiro presidente evangélico do Brasil. Ah, se ele fosse de verdade! Mas o Flávio é dado às corrupções e dado aos esquemas e à mentira. Quando os escândalos começarem, sabe quem vai sofrer? É a Igreja do Senhor”, alertou o parlamentar.
Ao finalizar o pronunciamento de convocação ao eleitorado, Otoni pontuou que seu alinhamento tático com a esquerda não reflete uma mudança ideológica estrutural, mas sim uma escolha pragmática em defesa da democracia e de sua visão de soberania nacional: “Vamos para o segundo turno com Lula. Não porque eu virei um esquerdista, mas porque eu amo o meu Brasil”.
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