BRASIL — O clima de polarização política que marcou o período pós-eleitoral continua repercutindo fortemente nas estruturas da comunidade evangélica.
Em um vídeo que circula nas redes sociais, um pastor veio a público fazer um apelo direto a líderes de ministérios, departamentos e igrejas para que vetem a contratação e o agendamento de cantores e pregadores que se identifiquem com ideologias de esquerda.
Orientação para checagem em redes sociais e “corte de contato”
Na gravação, o religioso argumenta que setores do empresariado já estariam tomando medidas de restrição a profissionais progressistas e defende que o meio eclesiástico adote postura semelhante.
O pastor orienta os organizadores de eventos a realizarem uma varredura nos perfis digitais de possíveis convidados antes de confirmarem compromissos pastorais ou musicais.
“E eu quero fazer um pedido especial aos pastores e líderes de departamento […] antes de agendar os pregadores e cantores para os vossos eventos, dá uma olhada nas redes sociais deles. Olha lá as postagens. Se eles forem de esquerda extremista, não agendem para o seu evento. Corta o contato com esse tipo de gente, porque são lobos no meio de ovelhas. São joios no meio do trigo”, declarou o líder no registro.
Avançando na argumentação teológica e ideológica, o pastor declarou incompatibilidade plena entre a fé cristã e o espectro político de esquerda: “Tenha cuidado, porque não existe cristão de esquerda. Ou é cristão ou é de esquerda. Então não seja enganado e nem deixe eles enganarem a vossas igrejas”, concluiu.
Debate sobre liberdade, acolhimento e doutrina
As declarações do religioso dividiram opiniões e acirraram os debates no segmento cristão. Enquanto apoiadores de linhas mais conservadoras endossam a necessidade de alinhar a liderança e os ministérios de louvor a princípios doutrinários e políticos específicos, críticos apontam que a postura de segregação ideológica fere os princípios de acolhimento e universalidade do Evangelho.
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