RIO DE JANEIRO (RJ) — Em entrevista exclusiva concedida ao portal O Fuxico Gospel, o pastor e deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) fez declarações contundentes sobre o papel da igreja evangélica diante da política nacional e o cenário pós-eleitoral de 2026.
O parlamentar afirmou que não busca cargos públicos, ministérios ou favores governamentais na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas revelou que seu principal objetivo ministerial é levar a mensagem de conversão e salvação ao chefe do Executivo.
Cultos semanais no Planalto e a missão evangelística
Durante a conversa conduzida pelo apresentador Izael Nascimento, Otoni de Paula destacou que construiu pontes que lhe permitem dialogar diretamente com a Presidência da República sem perder a identidade pastoral.
O deputado afirmou ter o desejo de realizar momentos de oração e leitura bíblica no Palácio do Planalto semanalmente.
“Se tem um pastor desse Brasil para o Lula ouvir, sou eu. Se tem um pastor nesse país para dizer ‘Presidente, não vá por esse caminho’, sou eu. E se tem um pastor que uma vez na semana vai estar fazendo culto dentro do palácio, sou eu […] Eu não quero ministério não, Izael. Nem quero cargo. Eu só quero ganhar o Lula pra Jesus. Só isso que eu quero. Eu só quero que o Lula se converta”, declarou o líder religioso.
Otoni ressaltou ainda a urgência espiritual do seu chamado para com a vida do presidente: “Essa alma não pode ir pro inferno. E não vai […] Eu coloquei isso no meu coração: eu vou ganhar o Lula pra Jesus. Então o que eu quero é essa liberdade. Uma vez na semana: ‘Presidente, vamos orar? Posso ler a Bíblia com o Senhor? Deus te abençoe, vou embora’”.
Crítica ao sistema religioso e paridade entre Lula e Bolsonaro
O parlamentar não poupou críticas a setores do segmento evangélico que, em sua avaliação, sacrificaram o sacerdócio e a missão evangelística em prol de bandeiras partidárias durante as últimas disputas eleitorais.
Segundo Otoni, ao amaldiçoar ou diabolizar figuras públicas, muitos líderes perderam a oportunidade de exercer o papel pastoral.
“A maioria xingou o Lula, disse que era endemoniado, e perdeu a condição de evangelizar uma alma por causa de política. Entendeu? Eu sei que a igreja vai — aliás, o sistema religioso evangélico vai ficar com raiva dessa minha última frase —, mas a alma do Lula não vale nem mais e nem menos do que a alma do Bolsonaro para Deus. E Deus não ama Bolsonaro nem mais e nem menos do que ama o Lula. Ambos são pecadores e ambos precisam de salvação. É isso. Eu só quero que a igreja volte a ser igreja”, concluiu.
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