A Polícia investiga denúncia de violência sexual apresentada por uma mulher de 42 anos contra o pastor Mário de Oliveira, dirigente nacional da Igreja do Evangelho Quadrangular. Segundo relatado à reportagem e registrado em boletim de ocorrência, a vítima afirma que o abuso ocorreu quando ela tinha 14 anos, após um evento religioso em Belo Horizonte (MG), na década de 1990.
Conforme a denunciante, a aproximação começou com contatos telefônicos frequentes do líder religioso com familiares. A Justiça concedeu medida protetiva em favor da mulher. O processo tramita em sigilo.
A vítima contou que conheceu o líder durante um seminário religioso anual em Belo Horizonte e que, a partir dali, houve aproximação com a família. Segundo o relato, o pastor teria convidado a adolescente para viajar a Brasília, onde ela ficou sozinha com ele em um apartamento. A mulher narra que perdeu a consciência no local e despertou desorientada, percebendo sinais de violência.
De volta a Montes Claros (MG), onde morava com a avó e dois irmãos, ela afirma que não conseguiu falar sobre o episódio na época. Anos depois, decidiu procurar a polícia e tornar o relato público “para alertar outras pessoas”.
O caso veio a público em entrevista concedida ao O Fuxico Gospel. Desde então, a equipe apurou a existência do boletim de ocorrência e da medida protetiva deferida pela Justiça, instrumentos que visam resguardar a integridade da denunciante enquanto as apurações prosseguem.
Como se trata de fato antigo e envolvendo vítima então menor de idade, a apuração inclui análise documental e oitiva de pessoas potencialmente relacionadas ao período dos acontecimentos. A identidade da mulher é preservada por proteção legal.
O que dizem as instituições e a defesa
A reportagem buscou Mário de Oliveira e representantes da Igreja do Evangelho Quadrangular. Até a última atualização, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Autoridades consultadas informaram que casos de violência sexual contra vulnerável podem, em tese, se enquadrar no artigo 217-A do Código Penal (quando a vítima é menor de 14 anos) e que decisões protetivas costumam ser analisadas com celeridade quando há risco à vítima.
Eventuais questões processuais — como competência, prescrição e produção de prova — são avaliadas pelo Ministério Público e pela Justiça à medida que o inquérito avança.
Próximos passos
A polícia deve seguir com oitivas, coleta de documentos e análise de elementos indicados pela denunciante. Ao final do inquérito, o caso é encaminhado ao Ministério Público, que pode oferecer denúncia, arquivar ou pedir novas diligências.
A equipe jurídica do O Fuxico Gospel continuará acompanhando as movimentações processuais para atualização desta reportagem.
O O Fuxico Gospel procurou o pastor Mário de Oliveira e a Igreja do Evangelho Quadrangular e mantém o espaço aberto para manifestação das partes citadas.
As informações acima têm base em documentos oficiais, decisão judicial, boletim de ocorrência e relatos prestados às autoridades. Solicitações de correção ou direito de resposta podem ser enviadas para contato@ofuxicogospel.com.br.
Se você souber de situações de violência sexual ou abuso contra crianças e adolescentes, acione o Disque 100 (Direitos Humanos), a Polícia Militar (190) em emergências e registre ocorrência na Polícia Civil. Procure também o Conselho Tutelar do seu município.