O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), um dos principais nomes da bancada evangélica na Câmara, voltou a criticar publicamente o Partido dos Trabalhadores (PT), desta vez por conta de uma iniciativa recente da legenda voltada ao público evangélico.
Trata-se do curso online “Fé e Democracia para a Militância Evangélica Brasileira”, lançado pela Fundação Perseu Abramo, braço educacional do partido. Segundo o parlamentar, a proposta é um equívoco estratégico e revela o distanciamento do partido em relação aos valores defendidos pelas igrejas.
“O PT entende de igreja tanto quanto eu entendo de sindicatos. É um movimento ridículo, que não vai gerar resultado eleitoral. O voto da igreja se baseia em princípios e valores, e o PT é visto como o partido que se opõe a esses valores”, disse o deputado em entrevista.
A crítica acontece em meio a movimentações do partido para tentar reduzir a rejeição entre o eleitorado evangélico, historicamente mais próximo da direita e de pautas conservadoras.
Para Otoni, essas ações são vistas como “manobras eleitoreiras” que desconsideram o papel central da fé nas escolhas políticas desse público. “Não adianta o Lula dizer que é contra ideologia de gênero se o governo trabalha a favor dessa temática”, reforçou.
Oração por Lula gerou críticas entre evangélicos
Apesar de ser opositor ferrenho do governo Lula, Otoni se envolveu em uma polêmica em 2024 ao realizar uma oração pelo presidente durante a cerimônia de sanção da lei que instituiu o Dia Nacional da Música Gospel. A atitude lhe rendeu críticas por parte de lideranças religiosas mais alinhadas ao bolsonarismo.
Otoni, no entanto, justificou o ato com base em sua identidade pastoral. “Vivo a dicotomia de ser político e pastor. Como político, posso criticar o Lula. Como pastor, tenho o dever de orar por ele. Hoje, se um pastor ora pelo Lula, é quase visto como um amaldiçoado. Mas se o Lula está endemoniado, é papel da igreja expulsar esse demônio”, disse.
Bolsonaro, Caiado e a fidelidade ao campo conservador
Mesmo reconhecendo aspectos polêmicos da vida pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado afirmou que os princípios defendidos por Bolsonaro pesam mais que suas atitudes individuais. “Embora fale dois palavrões a cada dez palavras e esteja no quarto casamento, ele representa princípios que se sobrepõem aos programas sociais do PT”, argumentou.
Otoni de Paula também destacou que o eleitorado evangélico está enraizado nas classes mais populares, o que reforça o peso dos valores morais na hora do voto. “Nós, da igreja, falamos com as classes D e E. Dialogamos com a base da pirâmide social. A grande maioria dos fiéis está antenada. Tanto é verdade que o voto em Bolsonaro se deu com base em princípios e valores.”
A fala do parlamentar ocorre em um momento de definição de alianças políticas para as eleições de 2026. Após transitar entre campos políticos, Otoni oficializou sua adesão ao projeto do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), assumindo a coordenação do núcleo evangélico da pré-campanha presidencial de Caiado.