O pastor Luis Guillermo Borjas e sua esposa, Roxana Rojas, líderes da Assembleia de Deus em Cuba, foram detidos recentemente durante uma audiência judicial envolvendo seu filho, Kevin Laureido Rojas, no município de Nueva Gerona, situado na Isla de la Juventud. O caso tem gerado repercussão entre entidades de direitos humanos e organizações cristãs internacionais.
A audiência foi convocada após Kevin abandonar uma unidade militar. A família afirma que ele possuía um laudo oficial que o isentava do serviço obrigatório devido a transtornos psiquiátricos, condição reconhecida por uma comissão médica do próprio Estado cubano. Apesar disso, o jovem foi acusado de forjar os documentos, o que provocou indignação do pastor Borjas. Em um momento tenso do julgamento, o líder religioso afirmou que os responsáveis seriam julgados “pela justiça de Deus” — declaração que resultou na prisão imediata do casal, sob acusação de desobediência e desacato às autoridades militares.
Segundo a organização britânica Christian Solidarity Worldwide (CSW), a resposta do Ministério Público foi rápida e severa, com o promotor proibindo qualquer menção à fé no ambiente militar. Borjas segue detido em uma delegacia local, enquanto sua esposa, que passou mal no mesmo dia da prisão, precisou ser internada. Durante o período de internação, um homem à paisana teria tentado se passar por enfermeiro para se aproximar da paciente, conforme relatos não confirmados oficialmente.
O julgamento de ambos está agendado para o dia 9 de junho. Eles são membros de uma igreja legalmente reconhecida pelo governo cubano, o que torna o episódio ainda mais controverso sob o ponto de vista legal e institucional.
A CSW condenou a detenção e pediu a imediata retirada das acusações, classificando o episódio como uma clara violação à liberdade religiosa. A entidade também instou a comunidade internacional a pressionar o governo cubano para garantir o respeito aos direitos humanos fundamentais.
A liberdade de culto em Cuba é regulada com rigor pelo regime comunista, que exige o registro formal de todas as organizações religiosas. Aqueles que pertencem a igrejas não registradas enfrentam vigilância constante, impedimentos para cultuar publicamente e riscos de represálias por expressarem suas crenças.
Outro caso recente que reacendeu o debate sobre perseguição religiosa no país envolve o pastor Alain Toledano Valiente, forçado ao exílio em 2022. Ele teve seu retorno ao país negado mesmo após pedir autorização para acompanhar sua filha, diagnosticada com câncer de mama em estágio avançado. Toledano é líder do Movimento Apostólico, uma denominação que não possui registro legal em Cuba.
Além disso, no início deste ano, o pastor Lorenzo Rosales Fajardo foi libertado após passar quase quatro anos preso por participar de protestos pacíficos em 2021. Sua soltura ocorreu como parte de uma anistia que beneficiou mais de 500 presos políticos. A medida coincidiu com a decisão dos Estados Unidos de remover Cuba da lista de países suspeitos de apoiar o terrorismo, o que gerou reações contrárias no Congresso norte-americano — parlamentares de ambos os partidos alegam que o regime mantém relações com grupos como Hamas e Hezbollah.
Casos como os de Borjas, Toledano e Fajardo reforçam a preocupação com a situação dos direitos civis e religiosos em Cuba, onde manifestações de fé ainda são frequentemente tratadas como ameaças à ordem pública.